Ser viúvo aos trinta

Hoje li um artigo do público que me deixou o dia todo a pensar… Histórias de pessoas que ficaram viúvas antes dos quarenta. É muito comum, até. Casais que estão a começar a vida e de repente a vida acaba. Não para apenas uma das partes, mas para as duas. E isso assusta-me. E assusta-me porquê… Porque eu vi a viuvez de perto. Há pouco tempo.
Faz em Novembro cinco anos que o meu pai morreu. Não gosto de usar a palavra falecer, não sei porque razão. Morreu. E cinco anos é uma mão cheia de dias, e meses e semanas e saudade. Mas, mais do que a saudade que eu sinto, penso bastante na que a minha mãe sente. Foi algo que sempre me fez mais confusão do que eu perder um pai aos dezassete anos…. Foi a minha mãe perder um marido aos quarenta e poucos. Porque eu estou mais ou menos programada para perder um progenitor mais cedo ou mais tarde. Faz sempre um bocadinho parte da vida. É o caroço na maçã, a espinha do peixe. Mas nunca consegui entender a ideia de perder a pessoa com quem idealizamos passar o resto da vida. O homem com quem casamos, o homem que quisemos para pai das nossas filhas…. É uma perda demasiado brutal. Porque a minha vida e a da minha irmã andou para a frente nestes cinco anos. Ela tem um esposo e um filho lindo, eu estou na faculdade, moro sozinha e tenho um grande homem ao meu lado… a minha mãe continua a ter filhas que a adoram, um neto que é a sua maior alegria mas não tem o marido e o homem que faz falta. A pessoa que ela pensava que ia cuidar dos netos com ela, com quem ela pensava que ia dar passeios de domingo na praia, e ver filmes com pipocas, quando as filhas saíssem do ninho. Mas o ninho ficou mais vazio e agora, mesmo que a nossa vida ande para a frente, a dela estagnou. E não há muito que se possa fazer.
E, como disse, isso mete me medo. Muito medo. Porque eu não me imagino nessa posição. Perder um pai dói muito, mais do que eu em mil textos possa descrever. Mas perder o amor da nossa vida é outro tipo de dor. É outro tipo de amor. E eu espero muito nunca ter de passar por isso. E queria mesmo que a minha mãe não tivesse passado por isso. Porque assim poupavam se duas dores. Restauravam se dois amores..

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