Sei lá

Sei lá por onde começar. Sei lá eu o que dizer sobre o novo filme, “Sei lá”, baseado no best-seller da Margarida Rebelo Pinto.

Primeiramente, vou deixar assente de que não gosto da senhora. Nunca li nenhum livro seu, mas curiosidade também não há. É presunçosa e muito cheia de si. E não é tão a “última bolacha do pacote”, como se acha. 

Já li contos e bocadinhos do que escreve. Também não é assim muito acima da mediocridade. Vamos lá ver: Fala sobre amores, relações falhadas, cartas a amantes, etc etc. É sabido que o amor vende, minha cara. O amor vende e dá leitores (ou leitoras, na sua maioria). Eu também escrevo sobre amor. Muitas pessoas que escrevem escrevem sobre amor. Mas isso não a torna extraordinária. Não ao ponto de poder dar as suas opiniões sejam elas quais forem.

Sim! Num país em que a liberdade de expressão custou a entrar, todos abusamos dela. Uns mais literados do que outros, mas não é a sua licenciatura que a faz mais ou menos sábia de vir dar bitates sobre o país, ou sobre o estado, ou sobre as gordinhas e as magrinhas.

E, depois, mais do que o amor, temos o sexo. Ah! O sexo então, vende mais do que algodão doce na feira de Santa Iria! O sexo vende e revende, especialmente aquele escrito por senhoras como a acima citada que, talvez à falta de coito ou de um beijo na testa, escreve desenfreadamente sobre encontros amorosos, lençóis emaranhados e cabelos despenteados. Sobre a poesia do cigarro a seguir e da gargalhada cravada de carinho, desconfio de que nada saiba.

Este novo filme, baseado num velho livro de sua senhoria, “Sei Lá” (que ainda não vi, nem li) parece-me que objetifica demasiado a figura feminina. Com uns pozinhos aqui, e uns pozinhos ali na forma de mulher independente e com ares de quem “não precisa de um homem para nada”, tapa a verdade nua e crua de que a mulher vai para a cama com todos, conta à amiga e à vizinha, e à senhora da mercearia. A verdade, que é a essência do filme, de que somos todas umas semi-vadias que como diz o slogan publicitário, “se não fosse pela cama não precisávamos dos homens” – algo assim.

É mentira. Temos de nos habituar a admitir que isso é falso. Somos mulheres de século vinte e um, independentes, descendentes de quem passou séculos a lutar por igualdades, por emancipações e por direitos, mas somos mulheres. Precisamos de um homem? Sim! Precisamos. 

Eu sou muito feminista, e defendo os nossos direitos com unhas e dentes, mas acho que já chega de passar aquela imagem de que os homens são pedaços de inutilidade criados por Deus apenas para nos dar prazer sexual. Isso é falacioso e, sem falar deteriorante.

Os Homens são tão necessários para a Mulher como vice versa. Não somos super humanos com poderes especiais, que não precisamos de ninguém! Não. Somos mulheres de dia-a-dia, com fraquezas, carências e dificuldades, que um abraço de um homem, um carinho na hora certa pode apaziguar. Atenção! Não estou a dizer que o Homem resolve tudo na vida de uma mulher! Mas confirmo que ajuda. Somos duas partes de um todo. Não vivemos numa ilha, isoladas. Precisamos de alguém. De alguma forma até Nietzsche concordaria comigo nesta.

Essa senhora, que tenho para mim, mal-amada, consegue passar a imagem de que, aos trinta anos vamos ter uma carreira, vamos ter as três melhores amigas, vamos sair nos bares, engatar uns gajos giros, beber uns copos, levá-los para casa e, na manhã seguinte expulsá-los (ou sermos expulsas, dependendo do lar para o qual fomos fazer o amor). Sem culpas, sem sentimentos de uso, sem aquela vozinha de fundo que diga “tens trinta anos, vais acabar sozinha, por este andar”. Nada disso. Para Margarida, a vida assim é uma maravilha!

Sei lá o que diga mais, mas gostava que muitas meninas/mulheres que lêm as coisas dessa senhora não pensassem que a vida é assim, cor de rosa como ela pinta. E que os homens não são assim tão inúteis para nós, como nós para eles. Porque se fosse um livro escrito por um senhor, com o reverso da moeda, era só pseudo Margaridas a revoltarem-se nas redes sociais.

Vá lá, meninas. Já lutámos demasiado para nos emanciparmos, para termos os nossos direitos. Mas nada disso nos dá o direito de diminuirmos o valor de um Homem na nossa vida. Já que nem seja por menos, pensemos nos nossos pais. Um Pai é um Homem e é, ou deve ser, o Homem mais precioso e valioso da nossa vida. Não rotulá-lo de inútil.

 

(P.S.: É caso para fazer aqui uma nota de que quando refiro Homem, é na generalidade. Homem em termos de pessoa, de alguém ao nosso lado. No caso do livro/filme, falamos de Homens. A todas as mulheres que não querem homens, mas sim mulheres, melhor ainda! O ponto g aqui é que todos precisamos de alguém, algures nas nossas vidas. O género sexual é o menos importante!)

 

XOXO. C.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s