A time to kill (ou, como quem diz, estou a ficar obcecada pelo julgamento de Oscar Pistorius).

Tenho de confessar: desde o primeiro dia do meu estágio que eu ando obcecada pela novela do julgamento de Oscar Pistorius. Aconteceu por acaso, quando fui ao site da BBC e vi que estavam a passar o julgamento em direto e, como curiosa que sou, fui espreitar. Desde aí até ao dia de hoje, a primeira coisa que faço mal chego à redação, é ligar o computador, abrir o website da BBC e ver o julgamento em direto. Quando, por motivos de trabalho (porque, afinal de contas, eu estou aqui para fazer outras coisas), não posso ver, ponho-me a ouvir.

E devo dizer que estou maravilhada! Não sei muito bem ainda o que é que me prende a este caso mas, o advogado de defesa, Mr. Nel defende muito bem o caso de Reeva (a namorada morta, pois está) e encontra sempre uma ou outra ponta solta no depoimento de Pistorius.

Toda a gente que me conhece e que me conhece bem, sabe que eu sempre adorei filmes de suspense, filmes em que haviam aqueles grandes julgamentos, em que o advogado se levantava e dizia “OBJECTION!!!, your honor”, batia com o punho na mesa, gritava meia-dúzia de termos técnicos, ia buscar umas folhas e uns arquivos a umas pastas e, mostrava perante um júri estupefacto que, afinal, o acusado era acusado por alguma coisa. E ganhava o caso com uma pinta fenomenal, normalmente sempre em prol do bonzinho da história. Destas cenas de filme todas cravadas em cliché de baunilha, a minha favorita é, sem a menor dúvida, a cena do filme “a time to kill”(http://www.imdb.com/title/tt0117913/), baseada no livro do meu querido escritor John Grisham. Filme de Joel Schumacher e com as belíssimas interpretações de Samuel L. Jackson, Sandra Bullock e, o agora famosissímo, Matthew McConaughey. Bem, de volta à cena… Existe uma grandiosidade poderosa naquela cena final, do julgamento que eu não consigo explicar de forma a que faça jus à sua beleza. Aquela cena sempre me fascinou porque sempre me fez ver que, de alguma fora, alguém um dia iria conseguir convencer as pessoas que, independentemente da cor e da raça, poderia haver justiça numa sala de tribunal. Esta é uma cena delicada e complicada. Sempre, reitero, SEMPRE, me fez chorar. De todas as vezes, desde a primeira vez que a vi na TV, com o meu pai (recordo com clareza ele a rir-se de escárnio, devido às grossas lágrimas que me escorriam e choro reprimido na garganta). Ainda agora, enquanto escrevo e ouço ao fundo o discurso tão bem feito, tão lindo proferido pela voz de McConaughey, só evito chorar porque me encontro numa redação cheia de pessoas. E isso era um bocadinho mau, no meio disto tudo.

Continuando (eu tenho uma enorme tendência, como devem ter reparado, para divagar muito ao longo dos textos), o que eu gosto neste discurso é o poder e, este filme em particular, sempre me levou a querer ser uma dessas advogadas. Com ferocidade, com garra, que lutam pelos mais fracos e oprimidos e que conseguem levar a justiça às mãos pertencentes. Mas, felizmente para mim, essa é uma fantasia de rédea curta, que me dura apenas os normais 120 minutos de filme e passa. Felizmente, para mim, não quero ser advogada. Nunca ambicionei essa coisa de ser Sra. Dra. De alguma coisa. Nunca quis ser a menina licenciada/mestrada/doutorada em alguma coisa que apenas acrescente um título ao meu cartão de multibanco. Com respeito a todas as meninas e meninos que o querem ser, eu passo isso. Não sinto necessidade. Sinto mais necessidade de passar os meus dias numa redação como esta, de rádio ou de imprensa escrita, a teclar num computador, a passar para um papel uma ideia, uma opinião, uma forma modesta e pessoal de ver as coisas. Passar para o papel ou em ondas radiofónicas uma notícia, um ideal. Um feito de alguém por alguma coisa. Sempre tive as minhas ambições mais baixas do que esses diplomas pré-impressos e timbrados. Sempre quis ser atriz de teatro. Sempre quis ser escritora de jornais, de revistas de nome. Sempre quis ser cronista da National Geographic. Nunca quis, necessariamente, que a minha fotografia aparecesse em algum lado. Nunca quis parecer. Sempre quis, e quero, ser. Viver a minha vida a fazer o que gosto. E, neste momento, não podia estar melhor. A estagiar na famosa TSF, rodeada de pessoas super profissionais e num ambiente com cheiro a café, tinta de canetas e travo de frenesim.

(e lá está, o divago de novo… foco…)

Enfim, como estava a dizer ali mais para cima, umas tantas frases atrás, o julgamento de Pistorius trouxe-me de volta essa vontadezinha de ir para uma sala de tribunal e assistir a um momento desses em primeira pessoa. Uau! É que eu não sei muito bem por onde começar. A ver vamos se, por um lado existe uma pequena simpatia da minha parte por Pistorius, existe um lado que me diz que ele é doente. Só pode. E não fisicamente (apesar das suas limitações, mas que o levaram a ser um excelente atleta). Oscar Pistorius (OP) tem, de facto, algum problema mental que, na dita noite do assassinato, o levou a balear quatro vezes a namorada. E isso transparece no julgamento. Isso, e o facto de ele estar sempre muito abalado (vomitou duas vezes durante o mesmo e, foram proibidas as imagens dele em Televisão durante o julgamento).

É um caso que eu vou continuar a seguir, sem me tornar uma psicopata do caso (temo que esteja mais perto a cada dia que passa. Enquanto escrevo isto e ouço indie, só penso a que horas acaba a pausa pedida pelos advogados para eu começar a ver este circo de novo). É que eu estou tão compenetrada, que eu até fui ver as fotografias do crânio despedaçado da dita cuja, a falecida.

Sinto-me mesmo psicopata. Sinto que encontrei uma série nova.

(super excited!)

Por falar em séries, mas sem falar muito, acho que amanhã (ou depois) me vou debruçar aqui um bocadinho sobre a série que é mais série do momento: Game of Thrones. E tentar explicar aqui um bocadinho o fenómeno que me conseguiu domar e me cola ao ecrã, qual avozinha a ver telenovela, e a falar com as personagens, a amar umas tantas e a odiar um pequeno círculo, como se de um ódio meu, pessoal se tratasse. (quem vê GOT já sabe do que falo, não? Sim, ainda bem que ele morreu!)

 

Por hoje é tudo. Que a vida aqui na TSF (também vou tirar um dia para falar daqui :D) não é só criar textos para o blogue. Porque as notícias nunca param e, o que passa, passa na TSF.

 

(Aqui vai o link com a belíssima cena do Filme”A Time to Kill” – http://www.youtube.com/watch?v=4lnRK8QpC14) – “Quem não chora, não tem coração”, já dizia o outro.

Xoxo, C.

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