A boca grande da ‘Manela’ Moura Guedes e o ‘cineminha’ Português

Na passada segunda-feira, Manuela Moura Guedes voltou a fazer das suas. No programa Quem quer ser Milionário, quando surgiu a pergunta “Qual destes realizadores portugueses, não adaptou ‘Amor de Perdição’ ao cinema?”, a Manela não conseguiu evitar fazer um comentário opinativo e pessoal (tanto quanto sabemos, pois a produção pode ter alguma coisa a ver com isso), que foi tido como ofensivo para o cinema Português. Portanto, a apresentadora e jornalista, ao confrontar-se com esta pergunta e enquanto esperava a resposta da candidata, disse que não tinha “gostado nada” do filme “Milagre Segundo Salomé”. E depois acrescentou que “o livro é fantástico e quem vê o filme não tem nada a ver”. Mas não ficou por aí. Depois da resposta – correta -, da concorrente, Moura Guedes ainda acrescentou que “os realizadores portugueses gostam muito de fazer adaptações livres de coisas que não deviam fazer, de coisa nenhuma, pois as obras já são em si obras de autores tão ricos”. Mas calma(!), não acaba aqui. Mesmo depois da buzina ter soado (não sei se por intenção de a calar, naquele que já se previa que ia ser um momento “à Manela”), a senhora continuou a dar a sua opinião e, consequentemente, a cair na escala. Disse, “Eles [realizadores] resolvem ter uma visão deles próprios. Seria melhor, então, fazerem eles uma obra. Não acha? Agora acho que vai haver uma visão sobre “Os Maias”, está a ver o terror que vai ser? Uma visão de um realizador? O problema é que depois têm subsídios para isto, é extraordinário.” Ora, não fosse este um mundo em rede, essas declarações foram instantaneamente parar às redes sociais, originando vagas de criticismo a Moura-Guedes que é acusadas de ofender o cinema e os realizadores Portugueses. Ora, vamos lá ver Manela, extraordinários são esses comentários e esses juízos, num programa de horário nobre, em canal público e em que a Senhora é apresentadora. Que é isso que faz, apresenta. Não dá opiniões pessoais sobre quaisquer temas. Porque isto não é a TVI (ou não devia ser), e acho que não lhe pagam para ser opinativa. Obviamente, a RTP ainda não se pronunciou sobre o assunto. Eu deixo aqui o link (http://www.youtube.com/watch?v=Ohzxby6rtns) para assistirem o vídeo. E depois daí tirem as conclusões que melhor acharem. Agora atenção: Eu acho que a Manuela pode ser dona das opiniões que mais lhe convierem afinal, ainda há liberdade de expressão neste país! Agora, essa liberdade pressupõe que saibamos onde a podemos usar. E aquele nem era o local nem o momento mais apropriado. E ela ainda pede que a concorrente concorde com ela, o que torna as coisas mais …  “extraordinárias”, usando expressões da mesma.

O nosso cinema já anda mau, é verdade, especialmente quando saem filmes do género do Sei lá, da Rebelo Pinto, e que depois são um sucesso de bilheteiras (não sei como) mas, não é a atirar estas bocas para o ar que as coisas mudam. Especialmente vindas de alguém que não está dentro do meio. Porque falar é fácil mas, combater esta crescente imposição do cinema americano na Europa e lutar para melhorar o cinema português, não é com esses comentários que se resolve.

Ainda hoje saiu a notícia de que Paulo Branco vai denunciar, na quarta-feira, “a insustentabilidade da exibição independente” em Portugal. Paulo Branco, que teve de fechar este ano passado as portas ao cinema King, em Lisboa, e fundador da Medeia Filmes, critica as “situações abusivas” na exibição cinematográfica e, segundo o jornal I, acusa a Big Pictures 2 Films de proibir a exibição de filmes.

A Zon Lusomundo Audiovisuais é, de há alguns anos para cá, a líder no mercado de exibição em Portugal e a Big Picture 2 Filme detém o 3º Lugar. As duas são associadas. Em 2013, a Zon obteve 39.9 milhões de euros em receitas brutas de bilheteiras e 7.7 milhões de espetadores.

O produtor de cinema critica as condições de trabalho dos exibidores independentes e culpou o “domínio de uma aglomeração” em torno da Lusomundo, que tornou as coisas piores, ao criar um cartão que dava acesso grátis aos cinemas.

É muito bonito criticar os preços do cinema e dizer que estão ridiculamente caros e, por essa razão, é que cada vez menos pessoas os frequentam. Especialmente quando existem wareztugas e sites e torrents e várias formas de obtermos os filmes, cada vez mais cedo. Eu faço-o e, admito, vou cada vez menos ao cinema. Mas, se despendermos um bocadinho de tempo a pensar nos porquês, o caso muda de figura. Há muita coisa que tem de ser paga, muita gente que fornece o necessário para que a nossa experiência de “ir ao cinema” seja a melhor. Desde distribuidores, a produtores, a empresas, etecetera.

Depois, há cinema muito mau, em Portugal, mas é certo que cada dia se trabalha para um cinema melhor. E estamos a conseguir. É questão de dar mais atenção a filmes de João Canijo, ou atores como Nuno Lopes, por aí. Fazem-se coisas boas, mas só reparamos quando os “Diogos Morgados” do nosso país, vão fazer de Jesus para a América.

É que, sobre os subsídios que o Estado dá para àreas que precisam muito menos, nunca vemos quase-ninguém a apontar o dedo. Mas quando os subsídios são para a cultura, é só alminhas a revoltarem-se nas cadeiras. E, agora, em plena televisão pública.

Ai ai, Manelita.

Mas pronto, cada um dá a sua opinião sobre cada assunto. Esta é a minha. E esta é a do Bruno Nogueira, que acho que devíam ouvir: (http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=3823623)

 

Ah, e começa amanhã o festival de cinema independente, em Lisboa e que vai até dia 4 de Maio. IndieLisboa. Esta 11.ª edição homenageia a realizadora Claire Simon, na secção Herói Independente

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