A exacerbação do amor nas redes sociais

No meu tempo dizia-se que “o amor anda no ar”. Até há uma música que fala disso (https://www.youtube.com/watch?v=NNC0kIzM1Fo). E desde sempre que o amor andou no ar. Mas, cada vez mais, tenho a impressão que o amor saiu do ar e passou para as redes sociais. Evaporou-se o amor, e deu-se a exacerbação virtual daquilo que é, não para nós mas para os outros, o amor. Isto porque, cada vez mais, vemos nos facebooks e nos instagrams alheios fotografias, de todos os momentos de um casal. E são todos momentos bonitos. Sorrisos, saídas, jantares, passeios, surpresas, etc etc. Mas, no fundo, todos sabemos que nenhuma dessas relações é perfeita. Claro que ninguém vai colocar fotografias dos momentos maus. Ninguém fotografa as lágrimas, as discussões, o que se disse errado e o que não se fez. Isso não é para as redes sociais. E é bom, partilhar as coisas bonitas. Mas a vida não é feita apenas de coisas bonitas, todos sabemos disso. E não critico a fotografia de um momento bom; eu também ponho. Mas aquele exagero das mil-e-uma fotografias perfeitas e de todos os sorrisos e de todas as lamechices, normalmente, quer esconder (no meu parecer) algo que, ao invés de super bom, super mais ou menos.

As relações perfeitas não existem. São uma utopia que os filmes da Disney e os chick-flicks nos querem vender. E nós compramos. Como a Carrie, em o Sexo e a Cidade, queremos todas um Mr. Big que nos dê tudo. Que mova mundos e fundos. Queremos que as discussões sejam cinematográficas, a ponto das lágrimas não verterem negras de máscara de olhos. Queremos que as pazes sejam feitas com ramos de rosas aos pés da cama e que os jantares românticos tenham sempre a comida quente, de preferência feita por eles, com velas e flores. Queremos as cartas, as sms, os miminhos, queremos uma relação de Hollywood. Mas essas relações de Hollywood estão empedernidas de traições, falsidades e contos da cinderela. Se formos a dar exemplos americanos, eu quero uma relação à Ross e Rachel. Mas até a relação do Ross e da Rachel era imperfeita. Porque na realidade, é assim que as coisas funcionam.

Não precisamos de mostrar aos outros a nossa felicidade, a ponto de nos convencermos que somos felizes. Pontualmente, é bom. ´É mostrar afeto virtual. Mas, questiono-me, quanto desse afeto virtual, 24/7 é dado a conhecer na intimidade. Não somos perfeitos e, de facto, é mais fácil ser-se romântico no mundo social e virtual. Podemos passar a imagem de que somos felizes. Mas, a verdadeira felicidade, é aproveitar esses momentos a dois, a dois.

Se tirarmos fotografias de todas as coisas boas que acontecem entre o nosso yin e o nosso yang, sobra pouco tempo/atenção para desfrutar desse equilíbrio.

Eu cá prefiro reservar para mim certos momentos. É por isso que se chama intimidade. Porque gritar ao mundo “sou feliz!” mostra que essa felicidade é fabricada “para inglês ver”. Devemos ser felizes aqui, no nosso interior. Felicidade é quando o momento é tão bom, que sentimos aquele friozinho na barriga. E isso não passa em nenhuma fotografia. Nem em nenhum texto, infelizmente.

Eu escrevo muito de felicidade, inclusive a minha. E, sensivelmente desde há um ano e dois meses para cá, sou feliz a triplicar. E há muito poucos registos fotográficos disso, nas redes sociais. E não me faz menos feliz por isso. A felicidade é o abraço, a felicidade é ter quem amamos nos braços. Os momentos bonitos são para serem eternizados, para mais tarde mostrar aos filhos, netos, … mas se propagandearmos demasiado, quiçá não haja nada para mostrar, um dia.

Façamos assim, mostremos as coisas bonitas, mas guardemos alguma beleza para nós. Não vamos sair por aí a mostrar ao outro que somos as pessoas mais bem-vividas de sempre para, daqui a um, três, sete anos, continuarmos a viver bem.

Só por coisas, e porque tenho o direito de me contrariar no mesmo post, vou mostrar a coisa que mais feliz me faz, já lá vão sete meses. Nunca pensei que algo tão pequeno enchesse tanto do meu coração. Mas o coração é elástico: cresce, cresce, cresce.

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