A capicua de vinte e dois anos, em linhas

Ontem, por volta do meio-dia, mais coisa menos coisa, fez vinte e dois anos que eu nasci.  Vinte e dois anos em que o Mundo ganhou um bocadinho mais de cor (alusão racial, ahaha), vinte e dois anos em que a minha mãe estava com dores e contrações.

Vinte e dois anos passam a correr, mesmo que eu ache que não. Vinte e dois. É, de novo, a capicua perfeita. Não poderia ser melhor idade. Há um ano, dois atrás, fiquei com aquele bichinho da nostalgia quando fiz anos. Aquele grilo consciente que me dizia “estás a ficar velha. Olha o tempo a passar“. Mas, ontem, eu não senti isso. É verdade, confesso, que desde os dezoito anos a vida passou a correr. Os dezoito foram ontem, ainda me lembro. Um aniversário mais pobre, onde à mesa já não eram quatro mas três, e a reguila aos pés do cadeirão dele. Mas, este ano, eu não me senti velha. Talvez porque este dois e dois signifiquem muito na minha vida. Estou exatamente onde queria estar, estou onde precisava estar. Com quem quero estar e passar mais vinte e dois, e mais quarenta e quatro. Sinto-me bem com o que fiz, nestes vinte e dois anos de vida. E sinto-me bem com o que fiz desde o aniversário passado. Todo aquele ano que volveu, deu-me uma maturidade de excelência para enfrentar esta capicua de anos.

Agora, sei melhor o que deve prender a minha atenção e quais os assuntos sobre quais me demorar. Sei o que é lixo e o que é diamante. E vinte e dois anos fazem a diferença nestas coisas.

Ontem, senti que, aos vinte e dois, estou com quem gosta de mim. E não foi pelos demais comentários e publicações do facebook, aos quais não respondi ainda, nem agradeci, mas sim por quem os passou comigo.

Contudo, o dia de anos, é um dia normal para mim. Ontem disseram-me (a minha querida madrinha que o coração comprou), que o meu dia de anos é o meu dia. Ah, mas eu não concordo! O meu dia, são todos os dias do ano, é sempre que eu quiser. Ontem, foi o marco da minha existência na terra mas, como eu, mais pessoas fizeram anos ontem. Foi um dia tão normal, que fui trabalhar de manhã. Mas, mal acabou o “expediente”, confesso, libertei-me para viver esse dia da melhor forma.

Portanto, o dia foi bem passado. Não vou dizer o meu dia, mas sim mais um dos meus dias, com os meus. O panda mais bonito, levou-me a jantar, e depois fomos beber um chá (e uma amarguinha com limão, confesso aqui o meu guilty pleasure que não me provoca culpa alguma).

O final da noite, é que me reservava a melhor surpresa de sempre: ora não é que o meu gordinni veio para me ver? Ah, coração cheio, confesso. Mesmo que eu odeie surpresas, gostei tanto de o receber e de o ter cá pelos próximos dois dias! A Diana e o João, claro está, também vieram. Vão ser dois dias à grande. E, coisa boa da minha vida, está tão grande. Já diz “mamã”, ou um balbuciar que se parece com isso, penso eu. Mas, ainda assim, ainda com os gritinhos estridentes, ainda que me tenha estranhado ao início, o meu coração rebentou e jorrou amor. Gosto tanto daquela amostra de pessoa. Uma coisinha tão pequena já vale mais que muitas pessoas (que se acham) grandes. Tem mais amor para dar, aquele coraçãozinho de sete meses. Tem mais alegria. Mesmo sem dentes, tem um sorriso mais bonito que muito boa gente. E ele adorou as gatinhas. Gosta de passar os dedinhos gordos pela Épica, que é a preferida dele.

E pronto, passei assim dos vinte e um para os vinte e dois. Não haveria melhor forma, só se a minha mãe tivesse vindo. 

E, mesmo que eu não demonstre assim muito nos atos, eu estou a sentir-me a coisa mais amada desde mundo. Feliz, feliz, feliz!

Esteve tudo cá, está tudo onde deve estar.

E, hoje dia 28, é dia de dar os parabéns ao homem da minha vida, que faz 59 anos, cinco deles no meu coração! Eu e o Zé Meio Quilo tínhamos um dia de diferença e alguns bons anos. Ele costumava dizer que eu fui a prenda de anos antecipada, que a minha mãe lhe deu. E fui. E ele, de há cinco anos até hoje, é a minha prenda de todos os dias. Cinquenta e nove anos são mãos cheias de anos. E, grande parte desses anos, foram em vida! Cheia dela. 

Não me vou lamentar do infortúnio de o ter perdido, hoje. Mas, como faço todos os anos pelo dia 28, dedico-lhe hoje a música que traduz melhor o que sinto, ano após ano, dia após dia, há cinco anos. Dance with my Father, do Luther Vandross (http://www.youtube.com/watch?v=wmDxJrggie8). Porque toda a letra é uma obra de arte musical e o Luther possui aquele dom de soul, aquela alma que falta a muitos músicos dos nossos tempos. Neste momento estou arrepiada, a ouvir este som. Obrigada, Luther. O meu coração agradece-te por isto. Obrigada, meio-quilo. Hoje, danço contigo na minha alma. E todo o meu corpo deseja-te o melhor dos aniversários, onde quer que estejas (mesmo que eu não acredite por aí além). Mas, se de facto esse lugar existir, acredito que estejas a cantar isto com o Luther, up there.

E, só por coisas, envio-te mais uma coisa bonita, caso hajam rádios aí em cima (http://www.youtube.com/watch?v=wzqegGgfk2c). (que saudades dos Plain White T’s)

Acho que não tenho mais que acrescentar, só mesmo que, como já disse, me sinto cheia. Mas assim mesmo para o cheia. (Contudo, confesso que agora que estou a ouvir Radios in Heaven me sinto um bocadinho nostálgica. Há sempre aquele bocadinho de mim que te quer aqui, neste dia. Hoje, é o teu dia. Porque tu não tens todos os dias. Ou melhor, eu não te tenho todos os dias. Beijinho no coração, pai).

E dou assim por terminada esta crónica, por agora. Ainda tenho uma coisa engraçada para vos contar, assim daquelas pérolas que só acontecem às cashiers. 

É tudo, beijinhos no coração. C.

 

Post Scriptum: Não posso deixar de reparar que, nos últimos tempos, as visitas do blogue têm disparado! Um enorme agradecimento a toda a gente que gosta, lê, partilha no facebook, gosta da página e comenta. Não sei quem são, mas o meu coração agradece e a minha vontade de escrever mais e melhor, aumenta. A todos os que vêm, lêm e não gostam: um agradecimento ainda maior. É, também por vós, que eu escrevo. Por vós e para vós. As visitas aumentam, quer se goste quer não.

O meu coraçãozinho está feliz. Aloha!

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