I’m glad there is you (e, assim, se somam quatorze) <3

Como se o chão me tivesse fugido debaixo dos pés e me tivessem posto numa nuvem: é assim que eu me sinto. É uma constante, que me invade de algodão doce e me deixa um travo a canela nos lábios. E é assim que eu me sinto. Por ti, eu sou mais e melhor, da Cláudia que era já muito e muito bem. Eu gosto disto tudo, eu gosto de deitar e acordar contigo. Eu sinto, de facto, um vazio nos dias em que isso não acontece… e custa a adormecer. Quando eu me vou deitar e ficas na sala, e acabas por adormecer lá, tu sabes que eu não prego olho até te ir chamar ou até ires lá ter. 

Eu gosto de te preparar os cereais. O simples ato de não te estragar uma refeição, porque verter leite para uma taça e enchê-la de cereais, dá-me prazer. É simples, sem demasiados enfeites de preparar um banquete de filme: é o cereal que queres e é o que to preparo. Gosto, inocentemente, daqueles momentos antes do trabalho, em que me dá demasiada preguiça para sair de ti; de ao pé de ti. Gosto das noites, a ver Game of Thrones, Masterchef ou as notícias. Gosto da minha cabeça no teu colo, no teu ombro… Gosto dos teus cabelos nos meus dedos, gosto de ti.

Vou dizê-lo até ao fim, que gosto do teu cheiro. Não é do teu perfume, que não saberia nomear de cabeça. Mas do teu cheiro, de que não me esqueço há anos. Gosto do encaixe da minha face na curvatura do teu pescoço, de ficar ali.

Também gosto, confesso, de reclamar porque tocas guitarra, ou cantarolas o dia todo, ou me irritas porque sim e porque não. Gosto, não porque me dê especial prazer, mas porque faz parte. Não o faço por gozo mas, depois da tempestade passar, gosto. E consigo ver que gosto do que somos antes e depois disso. Gosto de saber que, por mais que a voz se levante, por mais que se vire as costas, por mais que se mande à merda ou que as lágrimas corram, grossas em dor, somos sempre nós. Sei que não vou sair pela porta para não voltar. Eu tenho esta mente muito cheia e preciso de formatação. Penso em mil coisas ao mesmo tempo; o meu cérebro é multi-tasking. Quando gritamos, berramos, choramos (neste caso sou eu a chorona), eu penso noutras coisas. Durante o tormento, e enquanto olho para ti, meio raivosa, meio triste, meio contente, penso que não te quero deixar, nem que isso implique mil e uma discussões daquelas. E é isso que me faz gostar de ti.

Mas não dou o braço a torcer e anos hão de passar até isso acontecer. Gosto de fazer o meu luto dos sentimentos, gosto de tempo para me sentir no poder da minha razão, mesmo que não seja partilhada pelos dois. Preciso desse tempo e desse espaço e preciso que o partilhes comigo. Que me dês o tempo e que me ocupes o espaço, mesmo que comedido. É isso que peço de ti e é isso que eu recebo. Hei-de mudar essa minha forma de ser quando, lá para os quarenta, se abater sobre mim a serenidade da idade. Ainda tenho 22 anos, ainda me julgo no direito de ser inconsciente e fazer a minha birra emocional. Não é para irritar, nem é para chatear. Não é fofo, não é abraçável, mas é um direito que eu ainda quero exercer. Não te fartes. Não me dês folgas, não me dês tempo.

Gosto particularmente de te adormecer, de me adormecer contigo. Gosto de ter de puxar mantas e reclamar a minha quota parte de cobertura. Gosto do ressonar, gosto do incómodo que isso por vezes é. Sei que estás ali, sei que preciso de pouco mais do que o esforço de esticar o braço para te tocar, e isso basta-me. Sei que, se quiser, sinto a tua respiração no meu pescoço. Se quiser cheiro o teu cabelo.

Se fizer as contas todas, se alterá-las a nosso favor, já são 1 521 dias de ti. Não vou hipocrisar e dizer que são 1521 dias nossos, dias em que nos amamos e nos aturamos. Nem vou dizer que assim gostava que fosse, porque esses mil-e-tantos-dias hão de ser nossos. Verdadeiros, sem pausas nem interrupções, sem outros pelo meio, sem parar. Vamos poder dizer que fizemos mil-e-muitos dias e mais vinte-mil-e-muitos dias. Mas, até hoje, são este os mil desde que nos conhecemos como pessoas, há quatro anos atrás.

E eu lembro-me, como se de hoje se tratasse, de várias ocasiões em especial; na altura, bloggava eu pelo inlovegirlsarefool.blogspot.com (que, infelizmente, já não existe) e lembro-me de ter escrito sobre a nossa pequena aventura que ainda aí começara. Lembro-me tão bem das palavras daquele pequeno texto, em que eu dizia que “coisas destas não acontecem na vida real. Coisas assim, só nos filmes. Ninguém se apaixona loucamente em dois dias, certo?!” Mas, a verdade, é que me acontecera. Eu, ao final de dois dias, estava apaixonada por ti. Aquela paixão de secundário, cheia de borboletas e outros bichos não-identificáveis na barriga. Aquela paixão que me punha as mãos a tremer e o coração na boca quando atravessavas o polivalente, vias o meu grupo, e me vinhas cumprimentar. Um dia, lembro-me disso acontecer e, a Rita Abreu dizer-me “Ah! finalmente entendi! É ele!”. E eu, encabulada e envergonhada, desmenti. A memória é tão vivida, que eu me lembro da roupa que vestia (o que, tendo em conta, era melhor que não me lembrasse). Mas eu era uma menina recém destruída pela vida e eu precisava urgentemente de ti. Era o meu egoísmo, talvez, mas eu precisava que existisses, precisava que gostasses de mim. E tu, que aos meus olhos eras super cool (queria manter a seriedade do texto, mas aqui não consigo, lamento. HAHAHA, tu nem eras cool por aí além: mas vá-se lá saber o que eu vi de cool em ti, viste tu de interessante em mim. E ainda bem), deste-me essa certeza de que eu conseguia as coisas. De que eu também era merecedora de que gostassem de mim, especialmente um rapaz como tu. 

Vão passar dez anos, cem anos, e nada do que tu me digas me vai tirar o mistério do porque é que tu gostaste de mim, naquela altura. E, a parte de mim que quer saber, não quer que tu me digas. Esse mistério todo é bonito. E, mesmo que me digas, como já o disseste diversas vezes, eu sei que não vou crer nas tuas palavras. Foram tempos bonitos, e marcaste para sempre o meu último ano do secundário. E eu estraguei isso, desmarquei a página e quis mudar de livro. Só porque sim e, porque, aos dezoito anos, achava que queria mais da minha vida, fazer mais coisas, ver mais lugares e conhecer mais pessoas. No alto dos meus doces dezoito, eu achava que conseguia ser diferente.

Eu sempre fui uma míuda de mil-e-uma paixões, desde as reais e palpáveis mas inatingíveis, como as imaginárias e platónicas, dos posters na parede. Amar, realmente, sei que só o fiz uma vez, e foi há bem pouco tempo, quando nos iniciámos nesta aventura, que tem sido, nada mais do que prazeirosa. Mas das minhas mil-e-uma paixões,a  tua sempre foi a que não acabou com sentimentos amargos. Sempre te vi, me lembrei de ti e te tive com o maior carinho que o meu coração conseguia. Nunca te quis magoar, apesar de saber tê-lo feito aqui e ali. E, sabendo disso, doía-me o peito. E ficava triste. Porque o que eu sempre quis, foi que nós, acima de tudo, continuássemos a pertencer à vida um do outro. Tu foste o meu primeiro e único namorado. Aquela coisa que não se esquece. E foram necessários três anos, para que viesses remarcar o teu cunho na minha vida. Sem saber, eu esperei por ti, deste lado. Sem saber, eu sempre fui tua, e tu sempre foste meu. Nesse triénio passou-se muita coisa, menos aquele bichinho que ficou desde a altura em que íamos namorar para as piscinas e ouvir Rui Veloso, a dois. Passou-se muita coisa, muita pessoa, mas o es muss sein que nos unia, permaneceu. Não sei se acredito no destino. Mas acredito que, aliado à minha insolência de te importunar e à tua persistência em me conquistar, as coisas aconteceram. E já lá vão uns bons quatorze meses disto. É mais do que eu me achava capaz de. E eu sei, que catorze meses nada é para quem vive há quatorze anos, e há quatorze mil dias. Mas, para quem nada teve, isto é tudo. E a caminho dos quatorze-mil andamos, a passo de caracol veloz, de sorriso nos lábios e alma na mão, entrelaçada. É tão pouco tempo, no calendário da vida, mas eu só peço calma: com pressa nada de bom se faz. Muita calma tiveste tu e agora tens-me a mim. Muita calma quis eu, e agora tenho-te para mim. Devagar, devagarinho, juntos e juntinhos. Com o bom e o mau, os risos e as lágrimas, o riso des-contido e a vontade reprimida, que passa num momento mau e se transforma num bom.

Olha, que muitos mais venham e que muitos mais se passem. Que não te fartes de mim, que não me farte de ti, que mais discussões venham aquecer o nosso lar, que mais pazes sejam feitas após. Que tudo aquilo que hoje é bom, seja o mau de ontem, que melhoremos e mantenhamos isto. Se ficar como está, já está bom. Mas que melhore, que melhorar é bom! Melhore e continue assim. Que sejas sempre a minha paixão do secundário, e o meu amor para a vida. O primeiro já és, o melhor e o maior. 

E eu satisfaço-me contigo. E olha que eu não me satisfaço com pouco.

I’m glad there is you, Frank Sinatra (http://www.youtube.com/watch?v=ir4je91QmEA)

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