Qual é o peso da vida?

Muitas vezes me pergunto, qual é o peso que a vida tem?

A resposta, que não é fácil de encontrar, nem de fácil consenso, remete-nos para as tais vinte e uma gramas, que eu falei há uns posts atrás… Alguns chamam-lhe o peso da nossa alma, se bem que isso é uma coisa que suscita discussão. Mas, de facto, eu acredito que a vida tem um peso. E esse peso vive dentro de nós, dia-após-dia e, quiçá até, na morte (e depois dela).

O peso da vida é o peso das pessoas que carregamos connosco, dos que amamos, daqueles por quem vivemos ou a quem dedicamos tempo da nossa existência. O peso da vida, é o peso das palavras proferidas, dos gestos feitos, dos momentos felizes, dos choros e das lágrimas. A vida, toda ela, é um peso sobre a nossa existência. Mas um peso-leve, que não sentimos, que por vezes nem reparamos que lá está. Mas ele está, e faz parte de nós.

Remeto-me para este assunto mais do que muitas vezes…. penso sobre o peso da vida, quando ela nos é retirada das mãos, quando ela nos escorre por entre is dedos… Quando observo, como espetadora, a vida a esvair-se de certas pessoas. O peso a ficar cada vez mais leve e, consequentemente, a tornar-se um fardo mais pesado. Parece contraditório mas não é, se pensarmos a fundo no assunto.

Há coisas que podemos fazer para amplificar o peso da vida na nossa existência. Usar mais expressões de amor, mais gestos carinhosos. Viver com menos ódio, com menos rancor. Evoluir e centrarmo-nos no nosso foco pessoal. O peso da vida, da nossa vida, é também o peso da vida dos outros. O peso do amor que damos, o peso do amor que recebemos. É uma energia que se transporta de organismo para organismo. Somos dadores e recetores.

Li, um dia, que nós tendemos a aceitar o amor que pensamos que merecemos. E, de alguma forma, é verdade. Mas não total e completamente. Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos, mas devemos também aceitar aquele que nos dão, mesmo quando fazemos coisas que não mereçam. É aí que sabemos que uma pessoa nos dá o peso da sua vida, mesmo que nós não lhe tenhamos, em certa altura, dado o nosso. Perdoar, esquecer, seguir em frente, amar de novo. Amar muito e bem. Para vivermos pesados dessas matérias e livres das radioatividades.

A nossa vida tem, de facto, um peso. E é algo mais do que as vinte e uma gramas da alma, que perdemos quando morremos. Tem o peso do que fica e do que é eterno. Daquilo que dura para sempre, para lá destas linhas e destas palavras. Daquele gesto que fizemos, daquele beijo que demos, daquela palavra de carinho que proferimos. Pesa e fica marcado na nossa existência.

O mundo emocional é mais balanceado do que pensamos. Tudo tem um peso e uma medida e nós só precisamos de saber viver e coexistir da forma mais equilibrada e balançada. Dando muito do bom, recebendo muito do mesmo.

What goes around comes around e, se praticarmos o bem, recebemos o bem.

É assim que as coisas se processam.

A vida tem um peso e não pudemos fugir disso ou contorná-lo. Mas podemos usar esse peso para nos equilibrar. Física e emocionalmente.

O balanço é tudo.

E é por isso que eu gosto, gosto muito. E, quando sinto que estou a desequilibrar, respiro fundo e volto a balancear as prioridades dos sentimentos. Nem muito nem pouco.

Toda a nossa vida é um quid pro quo. E só assim faz sentido.

 

Cláudia de Oliveira, 11.06.2014, Lisboa.

 

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