Movie Review – A Lancheira (Dabba)

«Os dabbawallahs do Mumbai são uma comunidade de 5.000 distribuidores de lancheiras [designadas como dabbas]. É uma profissão hereditária. Todas as manhãs os dabbawallahs entregam refeições quentes das cozinhas das donas de casa para os escritórios dos maridos, e depois trazem as lancheiras vazias de volta durante a tarde. Durante 120 anos providenciaram ao povo de Mumbai um gosto do lar no escritório. Circulam através dos comboios locais sobrepovoados, e de ruas caóticas. Os dabbawallahs são iletrados; usam um complexo sistema de cores e símbolos para entregarem as lancheiras no labirinto que é Mumbai. A Universidade de Harvard analisou o seu sistema de entregas e concluiu que apenas uma em um milhão de lancheiras é entregue na morada errada.»

– Excerto de uma entrevista dada por Ritesh Batra, realizador e argumentista de “A Lancheira”, à Brown Girl Magazine.

 

Há que tempos que eu não via um filme assim! Que lufada de ar fresco!

Já tinha dito aqui que eu adoro a Índia e é um dos países na lista to go. Embora nunca tenha sido grande fã de cinema indiano, muito por falta de conhecimento, adorei este filme. A palavra delicioso adequa-se como uma luva, de cetim. Com Bombaim como pano de fundo, A Lancheira é um filme envolto em romantismo hollywoodiano e em inocência, com uma pitada de comédia e melodrama q.b. Tudo temperado na perfeição.

A história de Ila, uma dona-de-casa dedicada, que tenta reconquistar o marido pela comida, cruza-se com a narrativa de Saajan, um homem viúvo, quase-reformado, com dias pouco coloridos, quando a lancheira que Ila prepara se desvia e, ao invés de ser entregue ao seu marido, é entregue a Saajan.

Este é um daqueles filmes que apaixonam o espetador. Que nos envolvem e nos mantém em banho-maria. Deliciosos.

A comida, preparada num fogão velho de uma cozinha gasta, quase que transparece para o espetador os cheiros às especiarias, a textura dos molhos, o gosto… Os cheiros das ruas, o barulho, a confusão… Somos transportados para aquele mundo, durante tempo indeterminado. Somos dali.

Ritesh Batra consegue, assim, uma excelente exploração das relações humanas,que muito se modificaram com as novas tecnologias. Mostra-nos o valor da comunicação entre o ser humano, sem telemóveis ou e-mails. Dá-nos a ver que a vida é inesperada. Pois, como afirma Shaik: “por vezes o comboio errado deixa-nos na estação certa”.

De forma geral, A Lancheira é bem mais que um filme, é um ensaio cultural sobre a India, com espaço para uma história verdadeira de amizade, numa sociedade que apesar de sobrelotada é profundamente solitária.

 

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