Diário de uma tia babada

Havia uma altura em que todos os fatinhos te ficavam enormes, as tuas mãozinhas eram pequeninas e os dedinhos, magrelas, eram fortes o suficiente para apertares e nos fazer aperceber da tua presença, da tua força. Havia uma altura em que mal abrias os olhos e não nos conseguias ver com clareza. Havia uma altura, não há muito tempo atrás, em que cabias na curva dos meus braços, e pesavas pouco mais do que uma pena. Frágil como a porcelana, branco e enrugado. Havia uma altura em que eu achava que ias ficar assim para sempre. Em que não tinhas cabelo e as tuas unhas eram pequenas e afiadas. Em que comer e mamar eram as tuas únicas preocupações. E se isso te faltava na hora certa, choravas e eu não sabia como te calar. Houve alturas em que as meias não se seguravam nos teus tornozelos magricelas e os sapatos eram todos grandes.

Mas tu cresceste, oh se cresceste. E, hoje, és grande e pesado.Tens dois dentes tímidos que teimam em não se mostrar por completo, mas as tuas mãos já têm a força de um homem. Já me vês, já sabes quem eu sou. Ficas incrédulo com esta pessoa que te pega ao colo e te dá beijinhos. E tu pensas quem sou eu. Porque é que tu não me vês todos os dias. E eu não sei o que te diga, porque nem eu tenho resposta a isso. Gostava mesmo de estar todos os dias contigo. Hoje puxas-me o cabelo com maldade. E já sabes que podes gatinhar até mim e que chorar te leva ao que queres.

Sabes que a tua mãe te pega sempre ao colo se deitares uma lágrima. E sabes sorrir para mim quando, no colo dela eu te deixo. Já dizes coisas bonitas sem sentido nenhum. Mas já sabes comer a papa com as tuas próprias mãos. Sabes beber do biberon e sabes que, se enfiares a cara no balde e falares, faz eco. E ris. A tua mãe diz-te “fala para o balde”, e tu falas. E faz eco e tu ris. Aquelas gargalhadas pequeninas que fazem o coração derreter. Literalmente.

Hoje os fatinhos ficam-te pequenos a olhos vistos. E já calças sapatinhos e já usas chapéus e bonés.

Já tens dez meses. Já tens a vida a correr-te nas veias, a todo o vapor.

Já cresceste e ainda cresces, todos os dias.

Hoje, gosto mais de ti do que há dez meses atrás, e quase que já nem me cabes no colo. O peso de pena deu lugar a peso de homem.

Tenho saudades incontáveis de ti. Tens quase dez meses.

És a melhor coisa da vida.

És a vida em pessoa.

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