Home is where the heart is ♡

Já tinha saudades do sol do Algarve. Aqui é diferente, o sol brilha mais. Sou quase Algarvia, pensei ontem. Nascida em Espinho, dir-me-ia nortenha a minha vida toda, mas a verdade é que, embora ainda hajam resquícios tripeiros em mim, já não sou só uma mulher do norte. Também sou Algarvia, com costela lisboeta. Digo-me cidadã do mundo e assim me sinto. Do pouco que já viajei, não houve nenhum sítio no qual eu não me visse a viver, ainda que por breves tempos. Havia sempre alguma coisa com a qual me identificava e que me fazia querer pertencer… Mas voltando a terras mouras, confesso aqui a minha saudade. A grande palavra, tipicamente portuguesa que eu tenho como muito minha. Saudades do sol, saudades do cheiro, do ar mais limpo… Dos espaços mais pequeninos, de menos carros, menos trânsito e mais pessoas a atravessarem-se na rua como loucas. A confiança no vizinho do lado.  O mercado da fruta, a familiaridade dos lugarejos por onde passo e que reconheço. O café à noite, com os meus e com os nossos. O conforto.
Dizem que casa é onde se encontra o nosso coração. Eu acrescento que, mais do que um lugar, casa é uma pessoa. Ou mais. São os nossos queridos, aqueles que amamos com o nosso coração. Onde mora a nossa alma, a quem depositamos o nosso sentimento. Casa, é onde eu posso pegar no meu sobrinho quando me apetece. Casa é onde posso adormecer e acordar todos os dias ao lado de quem amo. E, neste momento, esses dois locais não são os mesmos e dou por mim dividida e a não saber onde quero mais estar. Claro está, que o amor de paixão me preenche de uma forma que eu não posso abdicar, ainda. Por isso aguento firme e mantenho-me aqui, ao lado dele. Até ser altura de partir. Porque eu já tenho saudades, e ainda tenho algum tempo. Mas já sinto falta disto tudo, do cheiro dele, de poder tocar a qualquer momento, de poder atazanar o juízo, de poder embirrar e adormecer com o braço à sua volta. Sim, ainda agora fui e já sinto saudades de apanhar o metro, de acordar cedo para correr, de irmos ao cinema, por aí.
Casa é onde somos felizes. E, ao olhar isto pelo lado positivo, eu sou feliz em mais do que um lado, e sou completa porque aqui ou na China, desde que acompanhada por ele (eles), estou em casa. Achei a minha casa, e uma já tem um tempo, outra tem dez meses, noutra moro desde que nasci. Estou em casa ao pé deles. E em casa sou feliz.
Se tiver sol, como aconteceu estes dias, ainda melhor.
Com eles sou feliz.
Estou em casa, por fim

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