Incompatibilidades

Há muitas coisas que podemos ultrapassar numa relação, seja ela amorosa, familiar, de amizade… Há certos atritos e pequenas pedras no caminho que são facilmente ultrapassadas e deixadas para trás. Discussões todos temos, pontos em comum e pontos divergentes. Mas há coisas e coisas e existem certas inconsistências que não conseguimos deixar de lado. Podemos recalcar e fingir que não existem, não estão lá, que passamos bem com essas diferenças mas será que funciona mesmo assim? Conseguimos ultrapassar certas incompatibilidades? Não vão elas voltar, mais cedo ou mais tarde, e assombrar o nosso presente e o nosso futuro?
Porque há pontos que vão sempre gerar discussão, e não conseguimos ultrapassar certas diferenças. E, num casal, isso faz toda a diferença.
Procuramos pessoas que nos completem e, mesmo que não possuam os mesmos gostos que nós, gostem de partilhar sonhos e aventuras. Procuramos alguém que nos dê a conhecer novas formas de viver a vida, que nos despoletem a vontade de correr riscos, aventurar-se, conhecer o mundo. Procuramos alguém com quem nos vejamos a viver aventuras e a percorrer o mundo. Alguém com quem possamos partilhar experiências novas, quer para nós, quer para eles. Porque a vida é isso mesmo: correr riscos, experimentar coisas novas. É o mesmo que numa relação: não sabemos onde podemos chegar mas, com fé no outro e sem medo de aventuras havemos de descobrir o quão boa a vida pode ser.
Claro que podemos por de lado as divergências e a incompatibilidade de gostos e viver a dois ainda assim. Também podemos – e devemos – ser fiéis à nossa individualidade e fazer o que amamos, aquilo que nos apaixona sem obrigar o outro à nossa vontade. E vice-versa. Mas a vida, a partir de um certo momento, constrói-se a dois. E não faz sentido viver e experienciar coisas que não possamos partilhar com quem queremos partilhar uma vida. Todas as experiências dessa vida a dois, a poderem ser vividas a dois, deviam.
E ficamos assim, presos entre o querer ser indivíduo, fazer o que nos apraz sem submeter ninguém à nossa vontade e ao nosso desejo, e a vontade de fazer parte de um todo, onde partilhamos gostos, vontades, sonhos e ideais.
Será possível, a longo prazo, passar por cima disto? Será possível viver na união e não partilhar algo que nos é tão intrínseco como viver?  Poderemos nós deixar passar tamanhas diferenças?
Podemos nós mudar ou fazer alguém mudar? Será justo pedir para alguém nos acompanhar mesmo que não seja esse o seu sonho? E fará sentido por um projeto de vida em pausa por apenas uma divergência?
Oxalá soubéssemos como viver, de que forma e exatamente como as coisas têm de ser feitas. Oxalá fosse tudo fácil e, como num filme, no final a solução aparecesse de rompante, pela porta da frente, qual lâmpada que se acende e nos ilumina. Oxalá.

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