[koishiteru]

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Eu nunca te contei tudo. Nem nunca hei de contar. Presumo que tu nem queiras saber tudo, que te assustavas. Demasiada informação, muito de mim cá fora. Isso tende a assustar.
Não te vou contar tudo, porque não consigo. Temo nem sabê-lo, ao certo.
Nunca te disse tudo o que acontece no meu peito e na minha cabeça, e isso é algo que ambos vamos ter de aceitar. Se eu, com todo o vocabulário português me sinto sufocada com todo este sentimento que não consigo exprimir, imagina como me sinto ao saber que, em todo o mundo, existem mil-e-uma formas de me expressar perante ti. Em várias línguas que eu não domino, em alfabetos que me são desconhecidos…
Sei que, muito do que eu sinto, é fácil de exprimir em gestos, atos, toques… Mas fácil não se equipara a completamente. Passa a mensagem apenas a meia dose, porque existe muito mais dentro de mim. Existem coisas que eu não consigo passar para palavras. Nem para o papel, nem pronunciar. Existem tatuagens que eu não posso fazer, sonhos que eu não posso ter, porque não consigo que saiam do meu pensamento e se materializem, de forma a que entendas o todo. O poder que emana cá de dentro.
Ilustrações só eufemizam. Músicas só cantam. E nem cantam a metade.
Ou seja eu nunca te vou dizer tudo, porque eu não consigo falar. Não sei as palavras corretas, se existem ou se eu as posso empregar para te exprimir. Porque o que me permites sentir, o que acontece quando te beijo, quando me passas a mão pela cara, quando falamos no silêncio da madrugada, ninguém me consegue explicar como se diz, como se escreve. Então assumo que seja melhor nem dizer. Porque assustava, confesso. Toda a essa emoção, todo esse amor inexplicável… Afundava-te nessa imensidão, e não queremos isso.
Queremos antes flutuar à deriva, amparados pelo saber que tudo o que não pode ser dito, ainda pode ser sentido, cá dentro. E por sabermos que é real, verdadeiro. Existe, sinto-o no peito, no medo de perder, na vontade de ficar a vida toda. E, se o sinto, existe. E existe por ti.
Portanto, há uma palavra que pode exprimir, e em português, aquilo que mais te quero dizer, hoje: Agradecida. Por existires, por me fazeres bem, por me proporcionares sentir tudo isto no meu peito, na minha cabeça, no meu corpo. Agradeço-te do fundo de tudo aquilo que não te consigo dizer e que só por ti posso sentir.
Obrigada.

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