Odeio putos (o dia em que visitei uma EB23 ao fim de muitos anos)

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Odeio miúdos. Ok, odiar é muito forte, não odeio miúdos per se, mas o facto é que aquelas criaturazinhas me irritam.
Hoje estive numa escola básica, a par do novo projecto em que estou a trabalhar e, devo confessar, não sentia falta nenhuma daquilo. O básico é uma altura lixada para os miúdos, confesso, porque também eu já fui uma miúda no básico. E não era parte da trupe popular.
hoje reparei o quão mau é o básico para as meninas que não são tão precoces. Há de tudo. Raparigas de quatorze anos com mais mamas do que eu, aos vinte e dois (também não é nada difícil). Rabos grandes, barrigas à mostra (de preferência com piercing no umbigo), cabelos esticados e olhos com a maquilhagem em dia. Atrevo-me a dizer que no meu tempo não era assim. Ou, pelo menos, não me lembro de ser. E o meu tempo de básico nem foi há muito tempo. Mas eu fazia parte daquela parte de meninas cuja sorte não facilitava. O que elas tinham de mamas eu tinha de ancas e o que lhes faltava de largueza de coxas, eu tinha falta em seios e maquilhagem. Atenção que não me sinto mal por isso, agora, mas na altura faz-nos certa diferença.
O básico é mau para as meninas que não têm ainda corpo de mulheres. Mas vi ali filhas mais torneadas que eu, a gritarem como umas éguas com cio. A levar chapadas no rabo e apalpões, dos quais se gabam às amigas e a quem quiser ouvir. Ai do gajo que ousasse apalpar-me no meu tempo…
Algumas, numa falsa revolta, diziam “ai cabrão de merda!” e riam interiormente, com aquela demonstração pública de hormonas ao rubor.
Ora, eu naqueles tempos idos, não ousava sequer dizer porra, quando mais fodasse. Mas o que mais ouvi hoje, da boca de meninas de doze, trezes anos, que ainda cagam nas fraldas, foi muitos e vastos fodasses, caralhos, Putas, cabrões e coisas por aí. Já podem imaginar o meu espanto.
A maioria delas nem pêlos púbicos tem, mas aposto que já fode. Se ainda não o faz, é porque nenhum daqueles gajos cheios de acne as quer, porque se pudessem já faziam. Sabem mais do que eu sabia aos dezassete.
Desculpem a linguagem, mas ainda estou chocada. E eu já tenho idade para isto, elas ainda não.
e os gajos… Ai os gajos! Uns cheios de acne, pessonhentos e com a mania que, por usarem a roupa da moda, são os maiores. Mas não são. Fazem grunhidos enquanto jogam matraquilhos que, talvez seja das hormonas – já não me lembro como era -, as gajas entendam como linguagem da sedução. É ver um grupo delas a rodear o grupo deles.
Depois vi o típico gajo bom ali da escolinha. Confesso, com alguma vergonha, que há coisa de oito anos atrás, tivesse sido uma das minhas paixões de escola, por tudo aquilo que ele representa. E o que é isso?  Ora, é o gajo bonito, com pouca ou nenhuma acne, que usa a roupa da moda, muito impecável e pouco exagerado. O cap está lá, claro está. E o telemóvel na mão (no meu tempo era um luxo). Hoje, vi-o no intervalo grande e confesso que não des-olhei. Mas pelos motivos errados. O gajo, que outrora me teria retirado o ar, estava a lanchar duas sandes mistas (porque o homem está a crescer, porra!) e a beber o sumo, todo sensual. Penso que idade terá o puto, que já parece gajo para os seus 19, mas talvez ainda mije sentado, com adaptador para a sanita. Típico gozão, rouba o telemóvel do gordinho acnoso que está no grupo dele, também a comer duas sandes, porque acha que o metabolismo dele e do bonzão é o mesmo e, por isso, pode. Ao avançares na adolescência vais ver que eu tinha razão.
O gajo bom ali continua, a espalhar o seu charme? (Naquela idade chama-se outra coisa que não charme, mas não sei o quê) a comer o seu farnel, enquanto ignora as babes todas que suspiram por ele. Vai ser infeliz, coitado, porque já se acha. A vida é uma cabra, amigo. Quando trabalhares no McDonalds também me vais dar razão…
Ouvem-se mais mil e um Fodasses e um caralho aqui e ali. Mas sem pêlos, que eles ainda não têm disso.
Um puto trata-me por senhora, e eu sei que a minha vida está acabada.
E ainda bem. Aquela altura é horrível para os miúdos. Todos maus, todas más, a injustiça é contínua e sofremos muito. Até o bonzão. Só que ninguém sabe.
Odeio putos. Vou ensinar melhor o meu sobrinho.

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One thought on “Odeio putos (o dia em que visitei uma EB23 ao fim de muitos anos)

  1. Eles berram, gritam, guincham que nem porcos. Elas vestem calções, com a barriga à mostra, com cabelo esticado até ao “ass” e unhas de gel o mais folclórico possível. Acham-se entendidas na moda. São umas crianças fantasiadas de “bitch”, umas aspirantes mas assim rapidamente chegam a profissionais. Não suporto esta geração. Pobres pais.
    Conseguiste dizer tudo aquilo que penso quando me cruzo com o bonzão, os tipos peçonhentos, as miúdas precoces e o puto gordo no metro. E tudo tão bem escrito, tão honesto, tão cru, tão duro e infelizmente tão real. Parabéns!

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