[até que a morte vos separe]

os jovens já não casam. não entendo porquê, mas a verdade é esta: cada vez menos os jovens casam. dormem juntos ainda antes de saber se namoram ou não, vivem juntos, partilham a vida e alguns até alianças, mas a verdade é que não casam. e para quê casar, perguntam? é verdade, que o casamento não serve para muita coisa. talvez até só sirva para meter pressão na relação, mas eu ainda acredito no casamento. não na instituição em que ele se transformou, não no significado conotativo religioso (até porque nem eu o sou), até mesmo não no contrato, muito menos no glamour das festas, mas ainda acredito no casamento. de uma forma muito romântica, porque eu tenho vindo a ver, ainda, alguns bons exemplos.

é certo que ninguém precisa de casar para ser do outro até “que a vida os separe”, ou “na saúde e na doença”. não é preciso o ritual para entregar a nossa alma ao outro. eu ainda não casei mas já a dei de presente a outra pessoa. já cedi parte muito grande do meu coração, já fiz promessas de uma vida inteira em comum, “na alegria e na tristeza”. mas ainda assim quero casar.

sou das românticas. daquelas que ainda acreditam que o casamento é único na vida, é uma coisa que só se faz uma vez. mesmo que se faça com a pessoa errada, que no momento errado nos parecia a certa, acho que só devemos passar pelo ritual uma vez. porque, naquele momento, acreditávamos que era aquela a pessoa com quem nos queríamos unir, e assim o fizémos. não faz sentido, para mim, repetir o ritual vezes sem conta, com outras pessoas. porque tira o sentido àquilo que, para mim, é o casamento. é mais ou menos o mesmo que com a virgindade: perdemos uma vez com certa pessoa, que pode ou não ter sido a correta, e nunca mais podemos voltar a perdê-la. portanto deixemos as coisas assim. vamos fazer sexo mais vezes na vida, mas aquele ritual foi único, com aquela pessoa. ponto final.

assim vejo o casamento. não há necessidade de forçar a experiência com várias pessoas, quando podemos amá-las na mesma, ou ainda mais, mesmo não querendo passar por essa experiência de novo, com outrém. mas isto digo eu, de barriga cheia, que nunca me casei, espero fazê-lo apenas uma vez, para a vida, e que ainda namoro com o meu primeiro amor, primeiro e único namorado. sou muito oldschool nestas coisas, muito atinadinha, como se querem as meninas. ah!

mas saíndo de brincadeiras, eu acho que devia existir mais gente jovem a querer casar-se com a pessoa com quem estão. não por dinheiro, não porque dará jeito nas contas, não porque fica bem para os outros, mas porque se amam. porque se amaram em solteiros, e porque querem ser marido e mulher. não pela festa, nem pelo vestido, mas porque querem ultrapassar barreiras juntos. porque sim.

trocar duas alianças, na praia, ao por do sol, sem padre e com apenas alguns amigos especiais e alguns familiares; usar uma camisa de linho, larga e branca e uma coroa de flores de laranjeira e de amendoeira, no arco da praia da quinta do lago, é o meu sonho. não quero muita gente, nem quero padres. quero cinco pessoas minhas, cinco pessoas dele, quero um amigo/familiar a ler um texto meu. mais coisa menos coisa. quero flores, quero fogueira ao anoitecer. quero bebida, alegria e música.

nem quero um casamento em si, quero um ritual meu, onde me posso dizer ligada àquela pessoa, espiritualmente, naquele momento. onde, perante uma muito pequena audiência, valido o melhor da vida.

toda eu sou lamechice, porque amanhã vejo dois jovens que realmente querem casar. e que o vão fazer porque se amam. porque se têm amado durante muitos anos, e esperam continuar a fazê-lo, mas como marido e mulher.

porque para quem, como eu, acredita no amor, é fácil imaginar que duas pessoas se queiram casar, apenas e só porque se amam. às vezes nem dá jeito, às vezes os outros nem querem, às vezes são só eles, nem precisam de testemunhas. mas é tão raro e tão bonito ver jovens casar, com a certeza de que, sem certezas na vida, ainda querem desvendar este labirinto a dois, os dois.

beijios que toquem na alma, Cláudia Oliveira.

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