[ever thine, ever mine, ever ours.]

«Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.»
Para Não Deixar de Amar-te Nunca, Pablo Neruda.

 

Adoro ver pessoas apaixonadas. Aqueles primeiros dias, semanas ou até meses, em que a paixão e o enamoramento se sobrepõe a tudo o resto, e aquela pessoa passa a só ter olhos para a outra, e vice versa. Quando os beijinhos são a qualquer momento, por qualquer razão. ou sem razão. quando as mãos estão constantemente dadas, passeiam abraçados na rua, riem de tudo o que o outro diz, olham embevecidos para a cara metade, e exibem sorrisos de orelha a orelha. É como quem diz, gosto de pessoas que têm ar de que viram o passarinho verde. Porque eu também já fui assim.
note-se: não quero com isto dizer que a paixão tenha passado por mim, visitado e ido embora. Nada disso, ela não me abandonou. Ainda, pelo menos. Ainda estou apaixonada, enamorada, insuflada de amor e paixão. Ainda olho, embevecida, para aquela pessoa, ainda damos as mãos na rua, deitamos a cabeça no ombro um do outro, e os beijinhos ainda são muitos e espontâneos. Claro que, talvez, já não vejamos piada em tudo o que o outro faz e, apesar de ainda existirem bichos voadores não-identificados no nosso estômago, não os sentimos 24/7. mas ainda existe paixão. Só que a relação aproxima-se cada vez mais do patamar da normalidade. Do amor sólido.
Já encontrámos o nosso à vontade, já sabemos estar confortáveis um com o outro, já fazemos menos coisas só para agradar. Já somos nós próprios, sem barreiras ou restrições.
adoro ver pessoas apaixonadas, é verdade. mas no inicio da paixão tudo isso me soa um pouco menos verdadeiro, agora. Sei que, nessa fase do namoro, do amor, somos um pouco menos nós, para sermos um pouco mais a pessoa ao lado da outra pessoa. Fazemos mais coisas para agradar, dizemos menos coisas para não magoar. Deixamos de parte vontades, que sobrepomos com as vontades do outro, que passam agora a ser também nossas.
Adoro estar apaixonada, porque é a bateria que me põe a trabalhar. A paixão é o meu motor combustor, não sou nada sem ela. seja a paixão por uma pessoa, seja a paixão por um trabalho, ou por outra coisa qualquer! Mas gosto muito mais quando essa paixão encontra o equilíbrio perfeito entre ela e o nosso amor e paixão por nós mesmos. por quem podemos ser, com a outra pessoa, e por quem essa pessoa pode ser connosco.

ainda no outro dia fui jantar com um casal amigo que começou a namorar à pouco tempo, e olhei para eles com o pensamento de que, muito provavelmente, eu não iria voltar àquela fase em que eles estavam. em que tudo era a amor e flores e passarinhos verdes. Olhei para eles e sorri ao tomar consciência disso. Sorri porque, há um ano e meio atrás, quando me encontrava na fase onde eles se encontram achava, com toda a certeza do mundo que eu carregava no coração, própria de quem está enamorado, que tinha encontrado o homem com quem queria passar o resto da minha vida. Hoje, ano e meio depois, sem as flores, o brilho e os filtros da paixão do primeiro mês, continuo com a mesma certeza. Mas hoje sei que eu conheço o homem ao meu lado, melhor do que conhecia naquela altura.

hoje consigo vê-lo sem as sombras de quem quer agradar, sem a magia dos primeiros meses. hoje conheço-o pelo homem que ele realmente é, e ele pela mulher que eu realmente sou. antes e depois de o conhecer. antes e depois das discussões.

hoje crescemos em comparação aos jovens de à um ano atrás. e a única certeza que eu tenho, hoje, é que mesmo que não nade mais na imensidão do oceano da cegueira do amor, caminho certa pela estrada que me faz querer perder-me em ti, e tu em mim. Para o resto da minha vida. Mesmo que isso signifique menos borboletas no estômago, mas saber que posso contar contigo para que sejas sincero, que posso contar ser sincera contigo.

a paixão é uma coisa muito bonita, que eu adoro sentir e ver nos outros. É uma roupa que nos fica sempre muito bem. É como aquele vestido que usámos tantas vezes e, mesmo assim, sabe bem ir buscá-lo ao armário e usá-lo ali e aqui, porque nos fica bem; nunca deixa de servir. mas o amor, depois da paixão, é saber que, uses a roupa que usares, tenhas o cabelo como tiveres, tenhas ou não maquilhagem, o amor permanece e continua.

mas sabes, vais sempre saber que podes usar aquele vestido, vermelho paixão, só para ele. as vezes que quiseres. tens escolha.

 

 

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gosto de ti, de coração.

 

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