[mãe, tatuei-me de novo]

elefante a ser digerido por uma jiboia - principezinho.  "(...)Fui mostrar a minha obra-prima às pessoas crescidas. Perguntei-lhes se o meu desenho metia medo. As pessoas crescidas responderam: “Porque é que um chapéu havia de meter medo?” O meu desenho não era um chapéu. O meu desenho era uma jibóia a fazer a digestão de um elefante. Para as pessoas crescidas entenderem, porque as pessoas crescidas estão sempre a precisar de explicações, fui desenhar a parte de dentro da jibóia." excerto do livro.
elefante a ser digerido por uma jiboia – principezinho.
“(…)Fui mostrar a minha obra-prima às pessoas crescidas. Perguntei-lhes se o meu desenho metia medo.
As pessoas crescidas responderam: “Porque é que um chapéu havia de meter medo?”
O meu desenho não era um chapéu. O meu desenho era uma jibóia a fazer a digestão de um elefante. Para as pessoas crescidas entenderem, porque as pessoas crescidas estão sempre a precisar de explicações, fui desenhar a parte de dentro da jibóia.” excerto do livro.

o dia dez de dezembro é sempre um dia especial para mim. foi o dia em que eu fiz a minha primeira tatuagem e, desde esse dia que não parei. é certo que já o disse várias vezes e já prometi à minha mãe que era a última, mas nunca é. e quem tem tatuagens sabe porquê: é, a seguir ao café, o meu maior vício. é uma das razões porque trabalho e são o meu melhor acessório. o meu corpo, especialmente tatuado, nunca sai de moda e fica bem com tudo. pelo menos para mim.

hoje faz quatro anos da minha primeira tatuagem.

fui fazê-la no melhor dos melhores no Algarve, na altura: Eduardo Cavellucci, na freakshop. escolhi cuidadosamente a frase, que foi e é partilhada com a minha irmã. nihil perpetuum. nada dura para sempre, em latim. uma contrariedade, na pele, para me lembrar que tudo acaba. porque, há um ano que a vida do meu pai tinha acabado e devíamos lembrar-nos sempre disso, que nada nesta vida é eterno. ou pelo menos a maioria das coisas não é.
e desde aí fui fazendo, primeiro porque tinham um significado muito forte ligado, porque me diziam algo muito específico e, ultimamente, mais por gosto, por querer gravar algo na minha pele que eu gosto. tal como usar anéis, colares, furar o mamilo.
hoje, para celebrar os quatro anos, fui fazer mais uma tatuagem. decidi-me por uma que já andava a querer há muito tempo mas que foi sempre ultrapassada por ideias novas e mais emocionantes. como sabem, um dos livros da minha vida é o principezinhoporque já o li mil vezes e de todas eles, toca-me sempre ao coração. eu sou apaixonada pela raposa e pela sua filosofia mas, também, pela forma do pequeno príncipe ver a vida. as crianças são sempre mais puras que nós, adultos, e eu não quero esquecer que um dia também eu tive esse olhar de criança sobre o mundo. para tal, escolhi o desenho da jiboia a comer o elefante. o belo desenho de criança onde os adultos só vêm um chapéu.

e, para ser ainda mais em cheio, fui fazê-lo com a minha Yeah do coração, que também se foi riscar pela primeira vez. é sempre bom lembrar as primeiras vezes. há quatro anos atrás também eu estava assustada, na ignorância de saber o que era ter agulhas a perfurarem-me a pele. até que ouvi aquele som característico da máquina…e tranquilizou-me. quando as agulhas me tocaram na derme, soube que a minha história passava por marcar a pele e, como disse, nunca mais parei.
já as contei e, à data, são vinte e duas (?) as que tenho. mas não vou dizer que não quero mais, porque seria mentira.
se dói? dói, mas é uma dor que vale a pena. muita coisa na vida dói, não podíamos ir por aí.
é daquelas coisas que faz parte de mim e não tenciono parar, por já. se me faz confusão que me estereotipem? fazia, já não faz. felizmente que sou uma rapariga qualificada, com estudos e com dois dedos de testa. até agora consegui todos os meus empregos com base naquilo que sei e posso fazer e não naquilo que trago no corpo. se um dia mais tarde isso mudar, que pode acontecer, eu também mudo para algum lado diferente ou, finalmente, dedico-me ao voluntariado na índia, e faço disso desculpa para seguir um sonho.
tudo é possível, com ou sem tattoos. a única diferença é que com fica sempre mais sexy e apelativo :p

(post scriptum.: no entanto eu defendo que há tatuagens e tatuagens. only god can judge me em letras redondas e caligráficas no peito e estrelas nos cotovelos saem fora do meu sentido de bom gosto, entre outras. mas isto sou eu, gostos não se discutem. tatuam-se.)

aloha, C.

deixo-vos algumas imagens, de algumas das tatuagens. nem tenho nem consigo fotografar todas. talvez um dia. muitas destas imagens já têm algum tempo e, por isso, pouca qualidade. um dia mostro-vos mais.

es muss sein - milan kundera "a insustentável leveza do ser"
es muss sein – milan kundera “a insustentável leveza do ser”
rascunho da peça da perna: por Gérson Sá
rascunho da peça da perna: por Gérson Sá
claudia d'oliveira
claudia d’oliveira
Mamihlapinatapai - "um olhar trocado entre duas pessoas no qual cada uma espera que a outra tome a iniciativa de algo que os dois desejam, mas nenhuma quer começar ou sugerir".
Mamihlapinatapai inversa (para ler no espelho) – “um olhar trocado entre duas pessoas no qual cada uma espera que a outra tome a iniciativa de algo que os dois desejam, mas nenhuma quer começar ou sugerir”.
by Gérson Sá
by Gérson Sá
as costas: > uma hamsa; > None but ourselves can free our minds - letra de Redemprion Song. Bob Marley > símbolo alquímico do ar > veado no braço e, por baixo, a data de nascimento do meu sobrinho.
as costas:
> uma hamsa;
> None but ourselves can free our minds – letra de Redemption Song. Bob Marley
> símbolo alquímico do ar
> veado no braço e, por baixo, a data de nascimento do meu sobrinho.
deusa ganesha
deusa ganesha
caricatura do meu pai. já tinha uns dez anos, lá em casa, e decidi pô-la na pele. por baixo: poema e e.e.cummings "i carry your heart".
caricatura do meu pai. já tinha uns dez anos, lá em casa, e decidi pô-la na pele. por baixo: poema e e.e.cummings “i carry your heart”.
peça da perna
peça da perna
âncora e assinatura do meu pai.
âncora e assinatura do meu pai.
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