[seremos sempre cinco (na hora da ceia de natal)]

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aloha, pandas!

afinal, sempre é verdade: hoje é véspera de natal. é isso, e eu que devo ter andado a dormir este mês de dezembro porque o tempo passou a correr e eu nem dei por isso.

esta é provavelmente uma das minhas noites favoritas do ano inteiro. não sei bem explicar porquê, mas sinto que não é necessário, porque a magia é palpável.

contudo, com o passar dos anos, aprendi que esta noite pode perder a magia, aos poucos, estrela por estrela, não apenas porque crescemos, mas porque perdemos.
perdemos coisas, hábitos e, especialmente, pessoas.

desde há cinco anos para cá, que cada vez que a mesa de natal é posta, contamos menos um prato. uma cadeira fica a mais, vazia, e a celebração era feita com menos 1/4. no início, como sempre, custou mais do que agora, mas com o tempo fomo-nos habituando e até começámos a colocar de novo esse prato na mesa, agora para ser preenchido por alguém novo que se juntara à família. contudo, a base do natal ainda éramos nós as quatro sobreviventes da tragédia do pai: eu, a mãe, a Diana e a reguila, a nossa cadela.
só que este ano perdeu-se a reguila, e voltou a ficar um lugar vazio. na mesa, no coração e na cama pequenina no chão. e este é um lugar, assim como o do meio-quilo, que ninguém consegue recuperar; foram quatorze natais com a barbichas.

mas, ainda assim, seres humanos que somos, a nossa capacidade de resiliência faz com que andemos em frente, e encaremos mais um natal com a normalidade de quem ainda tem muito para dar. agora, temos o baby Lou e temos de criar novas memórias para ele e por ele. SIM, eu adorava que ele passasse natais com o meio-quilo, avô que ele nunca há-de conhecer, a não ser por histórias. o único avô que lhe iria fazer judiarias, não fosse ele meio-judeu. adorava que ele soubesse o que é ficar três dias em casa a ver home alone e a comer as melhores rabanadas do mundo, ficar a comer after-eight com o meio-quilo. a nossa casa foi cheia! no nosso natal, ano após ano, apesar da imensa família que o meu pai tem, era sagradamente de nós os quatro, apenas. nós os quatro e a reguila. eram dois dias muito nossos, não os partilhávamos com ninguém. não havia chatices, nem confusão, só memórias felizes.

aqueles dias faziam-me acreditar que tudo na vida era possível, nem que fosse porque eu tinha aquelas pessoas que acreditavam em mim. ou que, mesmo que eu falhasse, eles estavam lá, no conforto daquele seio de quatro.

tudo isso mudou, agora. somos menos, temos outros à mesa. e eu odeio essa invasão daquele momento que era confessamente só nosso. sinto-me um pouco egoísta, mas não consigo não odiar o facto de, agora, o natal ser noutra casa. a Diana tem um filho e um marido, que tem uma família. e, agora, juntamos as ceias e somos muitos. mas para mim todos eles são vazios que tentam encher uma sala, mas não preenchem os únicos dois lugares que me fazem falta. toda a substituição do mundo é a fazer-de-conta. menos o Lourenço, que realmente veio não para substituir nenhuma dessas falhas, mas para adicionar um novo lugar fixo. não é no faz-de-conta, nem é “tira um põe outro”. é real, é um lugar que faz falta. tem o cunho dele.
e é por ele que eu faço esse esforço de não ignorar o natal, que eu tanto gostei numa altura feliz da minha vida. e que, ainda assim, tanto gosto. nem que seja pelos chocolates, pelo conforto de saber que, ali naquele momento, hipocrisias à parte, estamos todos juntos. relembra-me a importância de pessoas que não escolhes para a tua vida, mas que até ficas grata de assim o ser.

e pronto, daqui a umas horas, contrariada, vou para casa da minha irmã, cumprimentar pessoas com quem eu não faria questão de passar a noite com; dar prendas, receber outras que pedi mas, no final da noite, quando me perguntarem como foi a minha noite de natal, sei que vou dizer que foi “maravilhosa”. porque, no final de todas as outras coisas que não interessam para nada, o melhor da noite vai poder dizer “dá um beijinho à tia” e receber o melhor beijinho do mundo. saber que criámos memórias felizes para a única pessoa a quem o natal ainda faz sentido e que ainda se entusiasma pela magia e pelos sonhos. memórias destas não se apagam. memórias destas perpetuam.

é assim que eu mantenho o meio-quilo vivo nesta época, assim como a nossa companhia de quatro patas que já cá não estão: porque com eles vivemos as melhores memórias da nossa vida. e isso não se tira de uma pessoa, nunca.

o meu mais sincero voto de natal feliz.
Cláudia d’Oliveira

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