[se faz sentir, faz sentido]

o ano não começa como deve ser se não se falar de amor aqui no blogue.
o amor. palavra bonita e cheia de significado, que dá sentido a todas as coisas. não somos nada sem amor, verdade seja dita. é um dos únicos sentimentos que o homem ainda não racionalizou, isso do amor.
amamos sem saber como nem bem porquê, mas aceitamos esse amor e não pensamos muito nisso.
dois-mil-e-treze foi um ano de muito amor, para mim. um ano em que o encontrei, ou reencontrei, se pensarmos que nos conhecemos desde o 12° ano e que desde então sempre estivemos unidos, mesmo na desunificação que a vida por vezes nos trás. foi o ano em que eu soube, finalmente, o que é amar alguém incondicionalmente, sem saber bem porquê ou, mesmo quando o sabia, sem saber como conseguia eu amar tanto; foi um ano de descobrir o amor nas suas mais variadas formas. e, daí em frente, os anos têm sido bons nesse campo. o amor fica-me bem, digo-o. vou dividi-lo em três partes (focadas nos meus homens).

 Parte I – o amor de paixão

falo daquele amor que se sente por um homem que entra na nossa vida e faz mossa. que nos tira da nossa zona de conforto e nos leva pela mão a caminhos que nunca havíamos percorrido. um homem que nos ensina que, para além do nosso pai, existem homens que são igualmente importantes, de outras formas. e, ainda que não sejam nem nunca possam ser substitutos, ensinam-nos coisas que eles deixaram por ensinar, pelo menos no meu caso. este é o amor que nos tira os pés do chão, que dá sentido às músicas de amor e à poesia romântica. é aquele tipo de amor que até nos faz sentir como não-merecedoras, porque é tão grande e tão bonito que cheguei a achar que seria muito bom para ser verdade. mas depois descobri que, afinal, não é bem assim; nunca é bom demais para ser verdade, porque nunca é sempre bom. muitos sorrisos se vão transformar em lágrimas em questão de minutos e, muitas vezes o nosso coração vai chegar àquele ponto em que já quase que toca o chão – pesado – e perdemos a certeza de que o para sempre existe. mas compensa, porque também transforma lágrimas em sorrisos em questão de segundos, também faz o pé subir nos beijos e também nos faz sentir borboletas no estômago e noutros sítios.
e, depois de todas aquelas dúvidas, a certeza de que vale a pena ainda é maior e mais forte que antes. sabes que queres passar o resto da vida ao lado daquela pessoa, mesmo que isso signifique muitas discussões, dormir muitas vezes com dúvidas e com a almofada molhada de chorar.
é daqueles amores que vês como sendo teus por direito. quando a vives, sabes que aquela história é única e não a queres comparar com a de mais ninguém. é daqueles amores que vês espelhados nos casais que estão juntos há 30, 40 anos. e tu pensas, no sítio mais quietinho da tua mente que queres um amor igual. que queres construir, mais do que uma casa, um lar com aquele homem; fazer uma família, dar-lhe o conforto que sabes que ele merece, contigo. os pequenos-almoços na cama, aos sábados e os passeios de tarde. as viagens, juntos. as partilhas e as picardias.
este amor é lindo e sim, de facto é um golpe de sorte tê-lo. mais ainda quando é verdadeiro, quando é real e quando sabes que fica contigo no melhor e no pior; que quer resolver o que está errado e que não te abandona por isso.

se ainda me acho não-merecedora deste grande amor? todos os dias. todos os dias penso “porquê eu?” a ter tamanha sorte. mas faz parte, porque já me sei merecedora. e porque também sei que tudo o que este amor me dá, este amor me tira, se não cuidar bem dele. e é este limbo, viver nesta corda bamba que me faz amar este amor ainda mais; vivê-lo de coração cheio.

no outro dia, tive uma conversa muito séria com uma amiga; falámos, na embriaguez dos nossos sentimentos sobre o amor. sobre este amor. e sobre a idade. não é a primeira vez que temos esta conversa, porém, ainda não consegui que o meu coração sentisse o mesmo que a boca dela dizia e, até o que a minha dizia. o meu cérebro sabe que, no fundo, ela tem razão quando diz que o mais provável é que este amor não dure a minha vida toda… sou tão nova, tenho tanto na vida, da vida para viver, para sofrer, para fazer sozinha… e, embora concorde e tenha dito que sim, que estou consciente disso, o meu coração lutou no meu peito, contra mim mesma. gritou comigo e senti-o a querer sair cá para fora e dizer que não é verdade e que ver a vida desse prisma é uma forma muito triste e pouco sentida de viver.

sou nova, e amar aos vinte e dois anos é tarefa dura. mas fácil é viver esta vida despegada de alguém e fazer o que se quer. o desafio é saber viver connosco mesmos e adaptar o espaço necessário para outra pessoa. isso é o que eu quero aprender. como ser eu mesma, amar-me e ainda arranjar forma de amar alguém que me ama e que me quer. como encaixar as vontades dele nas minhas e crescer, ao mesmo tempo.
mas engraçado é que é isso que eu quero. é para isso que lutamos, os dois, todos os dias. um bocadinho aqui, um bocadinho ali, limpamos as feriadas um do outro, eu apago as mossas que outras pessoas lhe deram, ele apaga-me as memórias más. e é assim que tudo me faz sentido.

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Parte II – o amor incondicional

sou uma sortuda, confesso-me. muitas mulheres vivem a vida toda com azar com os homens que lhes aparecem na vida… ora escolhem os amantes errados, ora têm problemas com o pai, ora acumulam frustrações com os homens ao longo da vida e deixam de acreditar neles. eu, confesso-me sortuda, porque todos os homens que eu deixei que entrassem na minha vida, a sério, me deslumbraram e raramente me desiludiram. são três e, sem ordem de igualdade, amo-os de formas que as palavra falham em explicar (o que raramente me acontece). vou agora falar dos homens que eu não tive de escolher na minha vida, mas que tive sorte ou o universo achou-me merecedora de os conhecer.

o meu pai
tive o melhor pai do mundo. o pai que me calhou, que me criou, que me educou, que me alimentou e, mais do que isso, me amou, foi a pessoa que me ensinou a ser quem sou hoje. amou-me tanto, até à morte e é esse tipo de amor que eu valorizo; que eu sinto falta. porque esse amor é mais forte do que qualquer laço que se crie ao longo da vida. não aparece de qualquer forma e sei que há muita gente que não se pode gabar de uma relação com o seu pai, igual à minha. se discutíamos? tantas vezes. mas nunca vi amor mais forte do que o nosso, porque não houve uma única vez em que eu tivesse dúvidas da importância daquele homem na minha vida. nenhum outro se equiparou, nenhum outro pode chegar lá.

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o meu sobrinho
tenho o sobrinho mais bonito do mundo (não estou a brincar, é mesmo lindo!) e é a maior alegria que o universo podia ter colocado no meu caminho.
desde aquele momento em que eu soube que ele ia fazer parte da minha vida ao primeiro segundo em que o vi, em que – a medo – lhe toquei nos dedinhos, tive A CERTEZA. não uma certeza sobre alguma coisa, mas sim A certeza da vida; aquela que me escapa à descrição, aquela que não sei por em palavras, mas aquela que o meu coração sabe tão bem reproduzir. A CERTEZA de que, afinal, era por aquela pessoinha que a vida faz sentido. tirem-me tudo o resto que ainda não me matam, porque eu tenho o meu sobrinho, um ser que é sangue do meu sangue, é um bocadinho de mim e é meu.

venha o que vier, o meu sobrinho é a melhor coisa do mundo e cheira tão bem!

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parte III –  o amor próprio

esta é, talvez, a melhor parte de todo o assunto amor. é a parte mais completa e a principal para que todas as outras funcionem. é fácil e é rápido: temos de gostar de nós, defeitos e tudo. e não é aquele cliché da matinal “se eu não gostar de mim quem gostará?” mas é aquele amor próprio que nos ampara quando todos os outros amores falham. quando a nossa paixão nos deixa, ou quando nos magoa, sabemos que valemos mais do que aquelas palavras. quando alguém nos insulta, nos tenta diminuir, sabemos que somos superiores na nossa inferioridade, porque ao contrários dos outros que nos apontam o dedo, nós amamos-nos. e o amor por nós mesmos é o que faz de nós melhores. a confiança de que sabemos o que andamos a fazer ajuda-nos a aceitar o que vem de positivo e a meter no lixo toda a negatividade alheia.
quem se interessa se não gostam de mim? eu gosto, eu tenho um homem que gosta e uma família que gosta. e eu gosto tanto de mim que trabalho para melhorar, ainda assim. gosto tanto de mim que quero ser uma versão melhorada desta Cláudia. uma que faz mais e melhor.

este amor é o ponto crucial à vida, porque é o amor à vida. à nossa vida, ao nosso ser. à nossa casa, que somos nós mesmos. não há amor melhor.

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muito amor, desta cronista que vos adora. C
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