[uma gota colorida no oceano]

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há coisas que me tiram do sério. aliás, há muita coisa que me tira do sério, para ser sincera, que eu sou uma inconformada do cacete, acho sempre que se podia melhorar mais as coisas e as pessoas (inclusive eu). contudo, uma das coisas que mais me irrita, é quando se critica quem tenta melhorar.
as pessoas adoram apontar o dedo às escolhas dos outros, especialmente quando essas não se enquadram nos seus parâmetros. é vê-los arranjar n argumentos sobre o porquê da decisão desse terceiro estar errada, mesmo que isso nem comprometa em nada as suas vidas.
ora, pego neste assunto porque, como constatei há uns dias, recentemente comecei a seguir uma dieta vegetariana, ou semi-vegan. isto porque me senti impelida, depois de ver as atrocidades que acontecem ao mundo me que vivemos, causadas pela agricultura animal. sem falar nos campos que podiam alimentar pessoas que morrem à fome – diariamente -, mas que estão a ser usados para alimentação animal, etc etc… não vou entrar em fundamentalismos, nem escrever e enumerar todas as razões que me fizeram mudar a minha alimentação, porque não espero converter ninguém. mas também não aceito que me queiram “desconverter” ou fazer-me arrepender da minha decisão. foi, sem dúvida, no meu coração, a decisão mai acertada que tomei, e aquela com qual me sinto bem. confesso que desde o dia 1 já comi carne uma ou duas vezes, mas foi mesmo por falta de opção e porque ainda não habituei as pessoas que se dão comigo a aceitar-me. também, confesso, por desorganização minha. mas como disse, não vou ser radical e cortar tudo desde o primeiro dia logo, não me sinto culpada porque sei que, a partir de hoje, vou melhorar esses aspetos. sempre que for comer a casa de alguém que sei que não está preparado para receber uma pessoa com uma dieta vegan, vou levar o meu tofuzinho a passear, ou os meus hambúrgueres de soja. e ninguém tem de levar a mal por isso. eu cuido do que eu como, e se ninguém leva a mal quando fazemos dietas, cortamos nos hidratos e comemos gramas de porções de comida, não aceito que levem a mal ou me critiquem por eliminar os animais e os seus derivados da minha alimentação. a minha mudança é positiva, pelo menos para mim.
mas ontem, ao ler alguns dos milhares de comentários na página do João Manzarra (uma das minhas “inspirações” para esta mudança de estilo de vida), apercebi-me que as pessoas te criticam por tudo e por nada. e, mesmo quando uma figura pública nos sensibiliza para uma mudança pessoal mas correta a nível ecológico, a nível de saúde, etc, atacamos logo e apontamos o dedo a uma escolha que não é nossa e que não temos de viver com ela no nosso dia-a-dia.
eu fumo. desde o início da faculdade que fumo, tendo parado aqui e ali, mas acabando sempre por voltar ao vício do fumo, que tem dias que me sabe tão bem e é tudo o que preciso. mas sou uma fumadora consciente da morte do tabaco, porque o meu pai faleceu disso. portanto, sei o risco que corro e, ainda assim, fico-me pela minha escolha nada saudável. claro, compenso com o exercício físico e uma alimentação cuidada mas, é claro que ainda assim a balança não está equilibrada. agora, cada vez que eu me sento num café, saco do maço, tiro um dos meus amiguinhos brancos, acendo-o com um isqueiro bonito, clico a bolinha de mentol e dou um bafo, é muito raro ouvir alguém a dizer “ai credo tu fumas?” por aí. sim, ouve-se e diz-se mas, até os meus amigos não fumadores já aceitaram que eu vivo no limbo. mas, se eu for a casa de amigos, ou a um restaurante e disser “não como carne”, é a onde de olhares e de perguntas, tais como ” e as proteínas?”. olha, as proteínas estão mais em vegetais do que em carne animal. mas não entro nessas discussões, porque ainda sou mentalmente vegan há cinco dias, isto não é nada. falo na primeira pessoas mas ainda muuuuito pouco me aconteceu, disto. mas acontece a todas as outras pessoas cuja mudança pessoal é porque acreditam num mundo melhor.
não me venham cantar de galo com argumentos tipo “ah mas tu deixares de comer carne não adianta nada, porque és um em milhões”. pois sou. mas eu vou ser sempre uma em milhões, aliás, eu SOU uma em 7 biliões, porque eu sou única. e sim, sou uma gota de água num oceano. mas se o efeito borboleta é possível, então é possível que eu e todas as outras gotas de água como eu, consigamos mudar o resto do oceano, pintando-o das nossas cores. caso isso não seja possível – que é o mais provável -, somos apenas um daqueles rios coloridos, que são belos pela sua diferença. e a nossa consciência está tranquila, assim como a nossa quota-parte de animais que não comemos.
toda a minha vida, desde que me lembro, que eu andei em comunhão com os animais; que eles sempre me foram extremamente queridos, sejam eles quais forem. mas, ainda assim, recalcava para o fundo da minha mente que comê-los era errado, porque era normal e toda a gente o fazia. contudo, tenho idade de saber mais e melhor, e tenho idade para tomar as minhas próprias decisões conscientes das informações que recebo. sinto-me melhor assim, de consciência. sinto-me mais ligada ao meu ser, mais em contato com a natureza. parece estranho, já que faz apenas cinco dias da minha decisão e parece tagarelice pegada. só que a verdade é que, mentalmente, esta decisão já me trouxe mais paz. já me sinto mais aliviada, por saber que a tomei. e apenas espero que o tempo me traga ainda mais melhorias, body mind and soul.

aloha, C.

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