[diário de uma saudosista #2]

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dou-me mal com a saudade. sou muito saudosista, mas nestes vinte e dois anos de vida, ainda não aprendi a lidar bem com ela. é uma relação estranha, porque eu sinto-me numa constante de saudade, a todo o instante. tenho-a agora, porque me levam o coração para duzentos-e-tantos quilómetros de distância e eu tenho de passar as noites sozinha. tenho-a sempre, no fundo do coração, porque me falta um membro, uma parte de mim. tenho-a até quando não a tenho, que sinto falta de a ter.

mas eu sou uma mal agradecida, porque eu sentir saudades também é uma coisa boa. só que eu, neste momento, não consigo ver para além deste nevoeiro e repito-me até, achando que já escrevi o que aqui escrevo, porque eu estou cheia de saudades.

a saudade é a minha maior fome, que neste momento não consigo alimentar. e enquanto que uma parte dessa fome nunca será alimentada, a outra está só longe e essa custa-me muito.

sei que tenho, sei que posso, mas no entanto a vida mete-se no caminho e os nossos caminhos são separados, nem que seja por semanas. e o que são semanas, na vida? nada e tudo. são vinte dias – pelo menos – e vinte dias é um pedaço enorme de mim que se foi.

eu sei muito pouco do que quero. quando vou às compras, demoro-me na secção das frutas, sem saber que néctar traga; demoro-me a ver os frutos secos, perco-me entre cajus e amêndoas; sou muito indecisa no que toca a quantos lattes trago, porque quero um grande stock. perco-me, na fnac, a olhar para livros que não posso adoptar e levá-los para casa comigo, porque tenho mais despesas.
sei muito pouco do que quero, às vezes. mas a minha certeza quanto a ti é uma e é muito sólida: sei que, desde que entraste na minha vida (meu Deus, há já 670 dias!), que é contigo que eu quero passar os meus dias. pode nem ser todos os minutos do meu dia, claro, mas todos os dias. nem que seja por cinco minutos.

és meu, eu sou tua. minha, de todo o mundo, mas só tua. compreendes? aquele sítio especial, no meu coração e no meu cérebro é teu.

então volta, vá. ou leva-me contigo da próxima vez. esta vida só me pertence contigo do meu lado. assim é boa, assim podemos discutir, ser horríveis, querer estar afastados. mas porque estamos juntos e ao adormecer, é só isso que me importa.

eu sei lá, volta p’ra mim. não estou a lidar bem com a saudade.

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