[ama-te primeiro, o resto vem por acréscimo]

não quero ser fundamentalista, muito menos quero que isto soe como sexismo, mas há coisas que as mulheres fazem me deixam triste.

recentemente mudei-me para uma casa nova, com mais dois colegas, um que já vivia cá, outro que entrou mais ou menos na mesma altura que eu. são ambos bons rapazes, simpáticos e nunca me desrespeitaram. até nos damos bem, dentro da convivência nestas quatro paredes. contudo, um deles é meio don juan, e de vez em quando (mais vezes do que eu gostaria, para a minha sanidade mental) lá trás uma míuda para casa, da noite ou sei lá de onde ele a desencanta. por aqui tudo bem, somos todos livres de fazermos o que queremos e, como eu, ele também paga renda. mas o problema não é ele, tomara que fosse. o problema é ela (ou elas).
eu tenho assistido à parada de garinas cá por casa, e todas elas têm uma coisa em comum: falta de auto-estima. são gajas bonitas, arranjadas, novas e, aparentemente, senhoras do seu nariz, mas dão-se ao desrespeito de cair nesta situação humilhante de ir para casa com um gajo, bêbedas, depois de uma noite de excessos. já vi de tudo e, de todas as vezes, não posso deixar de sentir pena e outra coisa qualquer que me faz duvidar de todo este feminismo que ouvimos/lemos nas redes sociais.

míudas que partilham frases em que se auto intitulam de “rainhas” ou “princesas”, mas que deixam a coroa cair na minha sala de estar, assim como a dignidade.

eu não estou em posição de julgar ninguém, mas é-me intrínseco fazê-lo. porque sou mulher, porque acho que somos mais do que as míudas que procuram amor numa cama vazia, por onde passaram mais dez, vinte…
já estive mais ou menos nos sapatos delas (não tanto dessa forma), por isso sei o que é procurar amor nos lugares errados, nas pessoas erradas, a fazer coisas erradas para sentir aquele carinho que nos é dado com outras intenções.

somos tão mais do que isso, porque raio nos desrespeitamos de tal forma? é injusto, mas a verdade é que, para os gajos, o sexo ocasional não é visto de forma inferior como para as mulheres. é errado, mas é delas que se fala no dia a seguir, entre um ou dois cigarros de ressaca. é do quão bêbedas elas estavam, da merda que disseram, do que fizeram… e é a imagem que fica, provavelmente de uma gaja que só queria ser acarinhada. mas que se esqueceu que vale muito mais do que meia-dúzia de palavras bonitas e de um acompanhar à porta, com direito a beijo na boca.

o amor não é isso; o amor vale mais do que isso tudo! 
se demora a chegar? demora. há vezes em que vem mesmo atrasado. mas, quando vem, é a melhor coisa que podemos esperar. e ele vem sempre.

não digo que, na espera, não se vá tendo outras pessoas. what the hell, been there, done that! mas sempre de forma digna, por favor! sóbrias, conscientes do que se quer, para onde se vai, com quem se vai.

nada apaga a vergonha do dia a seguir, o sentimento que fica connosco. só o verdadeiro amor apaga. quando chega a pessoa que te leva para a cama porque, de facto, quer estar contigo, conhecer o teu corpo, que queira ficar o resto da madrugada ouvir-te falar sobre o que te aconteceu durante a semana, ou naquelas férias quando tinhas 14 anos. não alguém que esteja mortinho para que saias da cama, porque não quer dormir com a gaja bêbeda que levou para foder. é assim mesmo.

eu gostava que me tivessem dito isso um dia, como eu gostava de lhes dizer que, por muito bom rapaz que ele seja, não é assim que se encontra aquilo que se procura.

porque ser feminista é muito mais do que apenas aceder a que as mulheres possam fazer tudo! é aceder a que façamos tudo com dignidade e com a cabeça erguida! e poder dizer que somos mulheres que escolhem com quem dormem.

que tenhamos sempre a diversão que queremos e, se realmente é isto que elas querem, retiro-lhes tudo o que disse. mas não o retiro da minha opinião, porque sei que não é isso que queremos. disfarçamos e dizemos que sabemos o que estamos a fazer, porque subconscientemente somos apenas mulheres à procura de um amor verdadeiro em camas onde ele não está, nunca esteve e, para nós, é difícil que esteja.

ser femininista é não aceitar migalhas quando podemos tê-lo todo! (ahaha no pun intended, mas…)
se é para dividir a cama que seja com alguém que realmente queira saber de ti, não com alguém que, mal sais pela porta, fala de outra gaja qualquer. que te compara. que, provavelmente, nunca reparou na rapariga maravilhosa que até és. como ficas sem a maquilhagem que demoraste demasiado tempo a fazer. naquele jeito engraçado que tens de dormir… queres alguém que repare em ti pelo ser maravilhoso que és, não porque o teu vestido curto o suficiente para por aquela imaginação a trabalhar, das mil e uma maneiras que a lábia dele arranjou para te levar para a cama.
por um mundo onde existam mais mulheres que decidam com quem querem passar a sexta-feira à noite, mas com a consciência do que procuram e do que vão achar! por um mundo onde possamos nos encontrar na minha sala de estar sem essa walk of shame, e aquele olhar de quem se arrepende.
se me tivessem dito isto há uns anos atrás, tinham-me poupado muitas lágrimas. só que me disseram e eu não quis ouvir. mas se tu, estejas onde estiveres, leres isto… sejas tu qual delas fores… dá-te ao respeito porque, mulher que és, mereces-o. mereces um homem que te queira bêbeda, sóbria, de lingerie ou pijama aos ursos. que não esteja em pulgas para que vás embora, mas que se levante e te faça o pequeno-almoço. ou que te dê a mão durante o dia, numa situação social qualquer.
esses homens também existem. e até pode ser ele. mas analisa a situação; porque há timmings para tudo, e não podemos forçar um homem a gostar de nós, só porque gostou de foder connosco.
ama-te primeiro, o resto vem por acréscimo.
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C.
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