[corrida aos Oscars #1]

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toda a gente que me conhece sabe que, quando se aproxima aqui a altura dos Oscars, eu e uma amiga minha entramos numa corrida connosco mesmas e uma com a outra para ver todos os filmes nomeados – e não só.
este ano decidimos que, uma vez que ambas estamos a trabalhar a semana inteira e também merecemos, alguns desses filmes deviam ser vistos no cinema. e assim o fizemos. de toda a lista, já vi alguns e só não vi mais devido à minha preguiça, procrastinação e séries que se intrometem pelo meio. mas estou no caminho certo e espero que, até ao final da semana, tenha acabado a minha lista.

assim sendo, os filmes que me propus a ver, que de uma forma ou outra estão nomeados para Oscar são (os que já vi estão rasurados):

> american sniper
> the imitation game
> birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
> selma
> boyhood
> the theory of everyhting
> the grand budapest hotel
> whiplash
> foxcatcher
> gone girl
> still alice
> the judge
> unbroken
> cake
> nightcrawler

8 de 14 nem é mau, é mais do que metade, e espero que no fim de semana me falte apenas um ou dois. mas a verdade é que há filmes e filmes. e, apesar de eu achar que de ano para ano os Oscars estão mais fracos, este ano tenho a dizer que não se trata da quantidade, mas da qualidade. e de todos esses filmes vi um ou dois que me tocaram fundo, debaixo da pele. passo a fazer uma pequena crítica dos que vi.

american sniper
foi um bom filme, tenho de dizer. grande, mas um bom filme, não fosse um Clint Eastwood. não um clássico Eastwood, mas ainda assim o selo de qualidade está lá (e nota-se, uma vez que esta é a 11ª nomeação a Oscar de Clint. hurray!). outra coisa que me surpreendeu pela positiva é a atuação do Bradley Cooper, que já mostrou mais do que uma vez que é um ator versátil e capaz, mas que nunca se tinha descolado de um certo protótipo hollywoodesco. conseguiu-o com este filme e com uma merecida nomeação a Oscar de melhor ator principal. infelizmente, acho que não vai ganhar porque este ano o Oscar está destinado a Eddie, mas disso falamos a seguir.
é um bom filme porque cumpre o seu papel de nos fazer pensar na guerra, de nos fazer pensar nos heróis/vilões, naquilo que eles representam, para o que vão, o que vão defender e o que vão destruir. ainda não sei se Chris Kyle era herói ou vilão, mas sei que, de certa forma, simpatiza-se com a história e a personagem.

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the imitation game
ora aqui está um filme que me surpreendeu. desde que vi o trailer que sabia que estava aqui material para a estatueta dourada, mas quando o vi – a custo e sempre a adiar, por achar que era secante, bla bla -, a última coisa na minha mente era tudo o que tinha lido/sabia sobre o filme e sobre o Turing. o plot é fácil, não tem muito que saber, mas o filme ganha muitos pontos no Cumberbatch no papel principal. que este é um senhor ator, só descobri à pouco tempo. andei muito tempo a renegá-lo da minha lista de atores, porque já gosto de tantos, já admiro tanto talento, que mais um é isso mesmo: mais um. e eu não tenho cérebro suficiente, nem coração, que me permita acomodar tamanho talento. eu fico mesmo emocionada e arrebatada quando vejo uma boa atuação de um ator. normalmente as pessoas não entendem, mas quem gosta de música compreende-me. imaginem-se a ver um concerto ao vivo do melhor músico de jazz de sempre! ou, por exemplo e sem ir tão longe, imaginem-se num concerto de Jamie Cullum, naquele exato momento em que ele começa a tocar piano com os pés… e ficamos extasiados porque há tanto talento dentro de uma pessoa que é inconcebível… e é assim que eu me sinto. porque acho que a arte da representação ainda é um bocadinho deixada de lado, talvez por tanto ator medíocre que consegue o seu lugar ao sol, num sítio tão pouco exigente como hollywood (onde o que interessa é o físico e não o talento). portanto, quando eu assisto à grandeza, fico nas nuvens. e digo-vos: Benedict Cumberbatch é um grandessíssimo ator! bravo!

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birdman or (the unexpected virtue of ignorance)
como a maioria dos filmes da lista, fui ver porque estavam nomeados, não por especial razão soberba. este foi daqueles sobre os quais li muito pouco antes de ir ao cinema. mas, confesso, que quando li que o Edward Norton estava no filme, sabia que me esperava algo de bom. não me enganei, este filme não me enganou.
antes de mais, tenho de falar no realizador: Alejandro G. Iñárritu. este senhor deu-me o prazer de assistir a alguns dos melhores filmes da minha vida e sou-lhe muito grata por isso. a triologia Babel e Biutiful foi só dos melhores da minha curta vida, até hoje. lembro-me tão bem… foi pós-meio-quilo e chorei quase até os meus olhos estarem cansados e sem lágrimas para chorar. e depois chorei mais, em seco. deitei-me a chorar, ninguém compreendeu mas, aqui no cantinho do meu coração, eu soube que me fazia sentido. explora tão bem, mas tão bem o degredo humano, a precariedade, a pobreza… e a doença. o cancro… como se não bastasse, mais uma vez, um dos meus atores favoritos, um homem de talento e charme natos… Javier Bardem. e não digo mais.
mas voltando a birdman… o plot que podia ser apenas mais um filme hollywoodesco e banal, foi exatamente tudo menos isso. neste momento, ainda com películas para ver, é o meu favorito a vencedor da categoria. é um filme de génio, muito bem conseguido, muito inteligente, muito fora dos trâmites normais… ri-me muito e não foram gargalhadas fáceis, mas sim coisas inteligentes e brilhantes. fazia falta um filme destes há que tempos! estou muito contente, espero que ganhe!

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the theory of everything
c
onfesso que este artigo só foi escrito devido a este filme. acabei agora mesmo de o ver, nem tem vinte minutos e tenho uma coisa a confessar: dói-me o coração e os olhos. a alma lamenta-se, ainda.
a vida é uma merda porque as coisas más acontecem às pessoas boas. não sei se o Stephen Hawking é uma pessoa boa, tanto quanto sei é um cabrão do pior e só passaram o lado bom e querido dele. mas acho que é, sem dúvida, das melhores mentes do mundo, um génio vivo e que, ainda bem, tomamos conhecimento dele e consciência enquanto é vivo.
este filme pegou-me no coração, arrancou-mo do peito, arrastou-o durante hora e meia por pedras e gravilha e depois devolveu-mo, aos pedacinhos e torturado. os meus olhos acabaram o filme em àgua, vermelhos e inchados e soluçava. confesso: adoro quando um filme me faz isto. me deixa, literalmente, a soluçar de tanto chorar. acho que também é pessoal, acho que precisava de chorar, mas este filme fez-me por n coisas em perspetiva. uma delas é que, de facto, a mente vale muito mais do que a matéria. esta é a minha opinião. cá para mim, acho que Stephen, a não ser tão brilhante, não teria durado mais do que os 2 anos que lhe diagnosticaram. acho que o universo sabia que ele tinha tanto para nos ensinar… acho que a doença foi uma forma – uma forma bem macabra – de lhe tirarem a posse do corpo mas não a da mente. para que o foco dele fosse sempre expandir o seu conhecimento. e guess what? tem vindo a acontecer ao longo de cinquenta e muitos anos em que este senhor viveu, escreveu, estudou, ensinou.
senti-me mal, por achar que há dias em que a minha vida é uma merda mas a verdadeira merda é quando isto acontece a pessoas de 21 anos, que conseguem ultrapassar barreiras maiores do que sequer sonho.
o Oscar de melhor ator está, sem dúvida, neste filme. foi um globo de ouro merecido e é Oscar. vamos lá ver, todos os outros atores fizeram papéis dignos de nomeação e por isso foram nomeados. mas de todos eles, quem tem de levar para casa a estatueta é o Eddie. permitam-me que o diga e reitere! no filme, perde-se completamente a noção de quem é Redmayne e só se vê um Stephen mais novo, ali. juro que pensei que era a mesma pessoa, as mesmas dores, as mesmas barreiras, a deterioração do corpo… chegas a pensar que é o mesmo corpo… chorei muito, mas foi dos melhores filmes que vi.
vou dormir de coração pesado mas feliz, porque ver isto valeu a pena.

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(continua…)

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