[roubo de identidade]

perdes um bocadinho de ti, quando te dás a outra pessoa, não perdes?
quero dizer, uma parte de nós, fica com a pessoa a quem nos damos, e nem sempre a temos de volta; a tê-la, é apenas quando deixamos de nos dar a essa pessoa, e é uma situação estranha, por não te poderes possuir a 100% quando já te deste a alguém.
não quero dizer que deixas de ser tu, mas passas a ser tu com outra pessoa, por muito que não o queiras e digas que és livre – que és, apenas não tão livre.
não podes flertar com alguém, mesmo na inocência de apenas gostar de te sentires lisonjeada, que tanta falta faz, porque fica mal; não podes recusar pedidos de bebidas e cigarros sem mencionar que, afinal, és de alguém, porque fica mal; tudo fica mal, porque parece que, assim sendo, já não és um indivíduo, és uma parte numa equação a dois. e não te podes desprender desse vínculo sem ficar mal, sem magoares a outra pessoa.

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parece que é justamente quando menos queres magoar a pessoa, que o fazes; mas fazes-o para não te magoares a ti própria, porque ainda sabes que, para lá da relação, és um indivíduo e tens de agir como tal; como a pessoa singular que és; com as tuas vontades e gostos que tens, independentemente de estares com alguém.
se dizes que sim é moralmente errado e és crucificada; se dizes que não, apenas, és criticada porque não mencionaste que estás com alguém; quando mencionas és vista como portadora de coleira com nome de dono… e tudo porque tu só queres que a tua vida não mude muito mais, mas que confiem em ti.
ter alguém a elogiar-te, fora da tua relação, sabe bem. um elogio sabe sempre bem, uma atenção é sempre bem-vinda, desde que respeitosa. e isso não quer dizer que tenhas de trair a confiança de alguém, muito menos dar o braço quando te pedem a mão. nada disso, podes ouvir, sorrir e continuar.
o que conta é com quem passas a noite, na consciência de que queres também passar todas as noites da tua vida. é isso que interessa. não é tão a forma como recusas essa proposta, mas sim o facto de a recusares porque tu não a queres. não porque estás com alguém, apenas. mas sim porque estás com essa pessoa, queres estar com ela e com mais ninguém e não queres mais ninguém.

receber um elogio com um sorriso não é demonstrativo de querer algo da pessoa que flerta connosco. é saber que sim, ainda somos indivíduos merecedores de atenção, estamos lisonjeados, mas não queremos mais do que isso.

é assim tão simples, ou será mais complexo do que isso?

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