[isto do amor]

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Isto do amor é complicado na sua descomplicação. É muito fácil gostares de alguém, na minha ideia. Aliás, gostar de alguém é a coisa mais fácil de sempre. E tudo o resto que vem de acréscimo com isso: a preocupação, a necessidade  de estar com essa pessoa, o cuidar, o observar, o querer fazer parte da vida um do outro… Isto em qualquer relação de afeto com qualquer pessoa, de qualquer idade e qualquer laço que tenhamos. Gostar é fácil. Tudo o resto é difícil. É uma merda, porque tudo o resto põe em cheque o amor.
as complicações são muitas e extremas e, para mim, o mais difícil de amar, é descobrir até que ponto esse amor sobrevive às adversidades. Até que ponto o amor é mais forte e gostar é suficiente.
É tudo muito simples, tipo 2+2 só que a resposta nunca é 4. É sempre uma raiz quadrada de qualquer coisa. E eu ainda não descobri o que isso é.
Eu sempre disse que o amor vence tudo e que gostar, é a solução de todos os males. Gostamos, lutamos por isso. Até ao final.
Mas também sempre soube que gostar era um pau de dois bicos. Isto porque não gostas sozinha. Pelo menos não desta forma em que te preocupas e trabalhas para uma relação resultar. É sempre mútuo.
Mas eu sou uma crente. Não tenho fé em deus nem em nenhuma religião, mas sou uma crente nas pessoas que eu amo. Acredito no melhor delas, acredito que a minha afeição resulte com elas, acredito que o amor resolve tudo.
Acredito que o amor apazigua muitas coisas e que, aliado à vontade de ficar, de resolver, faz com que esse amor prevaleça e que resulte. Que tudo resulte.
Isto do amor é muito simples, na medida em que vale a pena amar. Mas é muito complicado na medida em que o amor só, per se, não funciona na totalidade.
Isto do amor é muito bonito, mas mais bonito do que isso é o amor aliado ao querer amar para sempre. Querer amar até ao final do pavio. Querer amar até não haver mais amor para dar.
Só que eu acredito muito pouco que o amor acaba. Acho mais que, às vezes, é a vontade de lutar por esse amor, numa das partes, que acaba.
E isso destrói o amor.

C.


“Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outro como tu.”

Joaquim Pessoa, in ‘Ano Comum’


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