[nostalgia]

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lembro-me deste dia. podia ter sido ontem, mas não foi. mesmo assim, lembro-me como se tivesse sido ontem: do medo, da angústia, da dor no peito. tive medo de, sem querer, te fazer mal. qualquer coisa, por mais pequena que fosse, podia fazer-te mal. e, a medo, lá te peguei ao colo, encostei-te no meu peito, e cheirei-te os poucos cabelos que tinhas. pureza, é o que descreve aquele cheiro. nunca tinha cheirado nada igual, porque nunca na vida tinha pegado em algo ao meu colo, junto ao meu coração, tão puro como tu.
ainda és feito de pureza, como naquele dia. mas é maior, mais crescido e pesado. já não te queres encostado ao meu peito daquela forma. já reclamas ir para o chão ou o colo de outras pessoas.
naquela altura, reclamava porque não fazias nada que fosse além de comer e dormir. e choravas choros infinitos e eu não te sabia calar. hoje, dava um bocadinho de mim para te ter de novo naquela serenidade que um mês de vida te dava. para seres o meu coração, do lado de fora do meu peito. quietinho, sem te mexeres e sem reclamares que não queres estar comigo.
eu sei que tu gostas de mim, bem lá no fundo. porque somos sangue do mesmo sangue. adormeci-te, dei-te biberons de leite, dei-te colo, estive lá quando bolsavas e choravas. só que agora reclamas de mim ou só me achas piada quando te convém. mas ainda queres o meu colo, quando não queres os outros e isso deixa-me feliz.
eu sei que tu me amas, mas eu quero que saibas que um dia, quando entenderes no sentido mais completo, te vou dizer que já fui o teu colo preferido, nem que fosse naqueles cinco minutos, no meu peito. em que cheirei o teu cabelo, a tua novidade.
eu sei que esta é a fase em que tu precisas de toda a liberdade do mundo e isso pode significar não me quereres sempre. só que eu vou estar sempre aqui. mesmo que nunca te tenha mudado uma fralda, mudei-te humores, fiz-te parar de chorar algumas vezes – todas as que me deixaste -. tornei-te ainda mais parte de mim. e isso significa que nunca te deixo na vida. mesmo que me puxes, me empurres e me arranques os brincos. mesmo que digas que o meu colo já não te serve e corras para todos os outros.
um dia, quando esta fase passar, vais voltar a ser o bebé que se deitava no meu colo para eu poder cheirar a tua pureza, no cimo da tua cabeça.
e sabes? nem posso esperar para que chegue esse dia. mas mesmo assim o meu coração salta de contentamento no meu peito sempre que tu danças, sempre que tu ris com aqueles dentinhos de hipopótamo bebé, sempre que tu corres de mim e para mim.
podem-me tirar tudo, que eu não morro. se te tirarem de mim, não tenho mais por que ficar.
és a melhor coisa da vida, estejas no meu colo, estejas onde estiveres. vou sempre olhar para ti como aquele bebé que faz parte de mim.
e, sem sequer ter passado por isso, ainda, já sei o que é ser progenitor de alguém.
tenho-te sempre de todas as formas. e tens me sempre, quer me queiras ou não, perto ou longe.

C.

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