[movie review – Ante-estreia de Samba]

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ontem foi um dia bom. eu gosto de dias bons. foi dia de ir ao cinema, ver a ante-estreia do filme francês Samba, à borlix, porque é o que acontece quando se ganham bilhetes duplos (não eu, mas a minha partner in crime, que me levou, mais um balde de pipocas, ao melhor filme do ano – so far. mas vamos a isso depois).

tenho muita coisa a dizer sobre o filme mas, antes de mais, vamos falar das expetativas, que influênciam sempre – e muito – a forma como vemos os filmes. normalmente, quando sei ou acho que um filme vai ser bom, vou empolgadissíma e, normalmente, saio de lá com a sensação de que, afinal, já não se fazem filmes assim tão bons. aconteceu-me isso a semana passada em Gunman. estava com a barra um bocadinho alta: afinal, juntava Sean Penn (desde mystic river a ser um dos meus atores favoritos), juntava Javier Bardem (não tem como não adorar aquele homem e o cinema que faz), Idris Elba (tá dito, temos aqui no novo James Bond – preto.), entre outros ingredientes que tinham – aparentemente – quase tudo para fazer com que desse certo. só que não deu. o filme foi mais do mesmo: armas, sangue, lutas e muuuito – demasiado – Sean Penn sem camisa, sem roupa no geral. mostraram muito braço daquele homem (pudera, quase aos 60 o homem tem braços que moços de 20 não têm, mas ainda assim…). enfim… tudo para explicar que, quando a nossa expetativa é alta e o filme promete muito… normalmente desilude. e acreditem, eu já vi a minha quota parte de filmes do género, sei do que escrevo.


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mas continuando no Samba… não sabia muito bem para o que ia. descobri o filme a semana passada, no meio dos trailers, e deu para rir naquele bocadinho (onde, já se sabe, mostram sempre as melhores partes). a verdade é que, cinema francês nunca me chamou muito a atenção, normalmente pela melancolia, pela aura muito pesada, triste… aquele je ne sais quoi que tem o cinema francês, nunca me prendeu muito. até há bem pouco tempo, quando começaram a sair bons filmes franceses, talvez mais “americanizados” e, por isso, mais comerciais. lembro-me que Amigos Improváveis, foi daqueles filmes que me ficou no coração, de tão bom e forte que foi. e depois vi que, afinal, este Samba era dos mesmos realizadores (Olivier Nakache e Eric Toledano). só podia ser bom. depois, tenho uma simpatia muito grande pelo Omar Sy, que é um grande ator. mas, fora tecnicidades, vamos lá saber, afinal, como foi ver Samba…


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a história passa-se em Paris, França, onde um emigrante ilegal Samba Cissé, se vê numa situação de risco de deportação e aí conhece Alice, uma mulher a recuperar de um breakdown nervoso, que está a usar os serviços de emigração como uma forma de terapia para lutar contra os seus próprios demónios.
a história de Samba chega a ser demasiado comovente, dado que este vive em França há 10 anos, trabalha na copa de restaurantes, horas a fio e sem condições, mas nunca conseguirá algo mais, uma vez que não consegue a sua legalização. não é uma história a nu e cru, completamente, mas espelha muito bem a realidade de milhares de emigrantes que todos os dias lutam para sobreviver na Europa. até que ele conhece Alice e o filme passa a rodar muito na relação de “fica-não-fica” dos dois. mas é um bailado bonito, assim como que dançando samba, descoordenados. mas a química deles é muito bonita e engraçada no écrã.


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o filme é cheio de humor e humor bem feito. e o que mais impressiona na performance de Omar Sy, é a forma como este consegue fazer humor e, ao mesmo tempo, dar-nos a emoção necessária e carregada de fazer partir o coração. contudo, os momentos de comédia não parecem forçados, mas sim “purpurinas” de alegria a meio do filme. é exatamente aquilo que se quer e que é esperado.

o papel de Gainsbourg também completa o plot de uma forma harmoniosa, uma vez que não estamos tão habituados a ver Charlotte em papéis tão humanos e mais leves. com Alice, a atriz dá-nos um lado mais embaraçoso à relação dos dois (que por si só se torna embaraçosa o suficiente, na estranheza simpática que os dois têm entre si).


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mas o filme é bem conseguido, na medida em que, mesmo com o lado cómico, nos faz pensar nas coisas por que passam os emigrantes. logo na cena inicial, mostra-nos o salão de um hotel, num estilo muito Great Gatsby e, de seguida, a câmara guia-nos para a cozinha, onde encontramos um Samba a lavar pratos, quase que mecânicamente. é explícita a dicotomia entre pobres e ricos, e isso vem à tona em várias cenas, assim como a barreira linguística porque que passam muitos dos emigrantes, nas reuniões da emigração (o que também aqui dá azo a cenas de pura comédia inteligente).


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é um filme bom, bonito e na medida correta de comédia e de drama. talvez não seja filme de Óscar (devia! nalguma categoria), nem seja uma obra-prima da 7ª arte mas eu acredito que seja, até agora, dos filmes que mais prazer me deu de ver, pelo menos desde que começou o ano (anda ali de mãos dadas com Birdman, que adorei!).
é daqueles filmes em que saímos do cinema com a sensação de que ganhámos alguma coisa em vê-lo e não de que apenas vimos “mais do mesmo”. é um filme rico, bem-conseguido (em parte muito devido à brilhante interpretação de Sy) e muito humano.


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de 0 a 10 a cashier atribui um 11, só porque me fez sentir muito bem, quando saí da sala.
vale muito a pena.

c.



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