[Bruce Jenner: I AM A WOMAN]

Quando acordei hoje de manhã, era mulher. Mulher como sempre fui toda a minha vida. Senti-me bem no meu corpo, não senti nada errado. A minha mente, a minha alma e o meu coração estavam em sintonia com o meu corpo. Para a maioria de vós, leitoras, quando acordaram hoje sentiram-se como eu: em conforme com o vosso corpo e mente. Mas a realidade é que há pessoas que não se sentem assim. Há pessoas que todos os dias acordam e sentem que, geneticamente, o corpo que lhes foi “dado”, não é o corpo em que a mente deles pertence. Há homens que são mulheres (na alma, no coração) e mulheres que são homens. É o caso de Bruce Jenner. A maior parte de vós conhece-o pelo programa de Tv Keeping up with the Kardashians (eu, confesso, nunca vi – para além de não ter tv, não tenho interesse pela vida daquelas meninas). A verdade é que, muito ou pouco, Bruce Jenner é do conhecimento da maioria dos Humanos – pelo menos daqueles que usam internet/têm tv’s em casa. Conhecido por ser o padrasto das manas K, por ser marido da Kris… Mas, agora, mais que isso é conhecido porque quis mudar de sexo. E BOOM o choque é enorme em todo o lado.

Confesso, fiquei surpresa quando começaram a sair as primeiras notícias. Aquele homem que tinha sido atleta, casado n vezes e pai de tantos (!) filhos, queria agora, aos 60 e muitos anos, ser mulher. Mas uma escolha é uma escolha e só à pessoa que a fez pertence. O mundo pode “conhecer” Bruce, mas ninguém a não ser ela mesma dorme com a sua mente e a sua alma.

Bruce deu uma entrevista que, lá confesso e sem surpresas, me fez chorar de tão verdadeira e bonita, em que assumiu que sempre fora mulher. Passou a maior parte da sua vida a esconder algo que, disse, sempre soube. Que bonito! Estou tão feliz por as pessoas poderem, cada vez mais, ser felizes na pele que são!
É ISTO, SENHORAS E SENHORES, O SIGNIFICADO DE LIBERDADE PARA MIM (e porque ontem foi o 25 de Abril por cá, em que celebramos uma outra liberdade que ainda não temos, mas isso é assunto para outro dia).

Bruce (que ainda não nos disse como se chamará no feminino), contou a Diane Sawyer que sempre fora mulher, no seu ser. Que tem um físico de homem mas que não se sente preso num corpo errado; sente que a pessoa dele, o ser humano que é, é isso mesmo: uma mulher, independentemente do corpo em que tenha nascido.

Eu sei que isto é muito confuso para muita gente, e confesso que há uns anos atrás me tivesse feito confusão, mas a verdade é que – graças ao Universo – crescemos e passamos a ver as coisas de formas diferentes. Uma dessas coisas é aceitar que há pessoas que não são como nós, que vivemos e crescemos confortáveis com o corpo que nos calhou para alojar a alma. Há pessoas que, de facto, têm outra identidade para além do corpo. E isto não quer dizer que x é gay, hetero, bi… Bruce diz que sempre se sentiu atraído por mulheres e isso não mudou. Nem tem de. O que ele quer mudar é o corpo, pô-lo em conformidade com o seu EU.


“Sexual orientation is who you go to bed with, but gender identity is who you go to bed as.”


Acho que ninguém tem de viver infeliz a vida toda, por medo que o resto da sociedade não aceite aquilo que é, por ignorância e não querer compreender. PARABÉNS BRUCE, pela coragem de teres contado ao mundo inteiro aquilo que lhe vai no coração! Acho que é preciso “colhões” de aço para esta atitude, que tem mais de Humano que possamos imaginar. Isto vai mudar a vida a muita gente que se sentia mal na sua pele, porque agora há maior liberdade para sermos como somos. Mesmo que ninguém entenda. NÓS temos de entender o que se passa cá dentro, e viver bem com isso o resto da nossa vida. Só assim funciona.

Que mal faz ao mundo que esta mulher em corpo de homem queira viver o último terço da sua vida confortável consigo mesma? NENHUM.

Estou muito feliz por uma pessoa que eu não conheço mas, é mais do que isso: é saber que, cada vez mais, andamos a libertarmo-nos de amarras sociais que não fazem o mínimo sentido.

Eu acordei e era mulher no coração e no corpo. Que bem que seria se todos acordássemos confortáveis com o eu interior e exterior. Como não é possível, ainda, é ótimo que todos possamos mudar o que está mal. As decisões de outros em nada afetam a nossa vida, a não ser melhorar a deles e a sua realidade. Acho ridículo que alguém tenha coragem de criticar uma atitude assim.



Obrigada pela coragem, Bruce.
c(ashier)

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