[ode aos 23]


mais um ano, mais uma volta. isto podia ser o slogan de uma qualquer campanha, de qualquer coisa. mas não, é só mais um ano na minha pequena vida.

eu sempre gostei do número 27, ainda antes de dar valor a esta coisa dos aniversários. é um número completo, a grafia é bonita e é um número que me diz muito ao coração. não sei explicar, sei que quando vejo um 27 sinto um quentinho cá dentro.

eu sei que é só mais um ano e, o ano passado quando aqui escrevi sobre o meu aniversário, estava noutra fase na minha vida. não me senti mais velha, não senti o “peso da idade” (que coisa feia para se dizer aos 23 anos, eu sei), só senti amor. muito amor naquele dia. estava rodeada de amor, veio de todos os lados, veio de carro ter comigo a lisboa. estava a viver um sonho pequenino, estava num bom local na minha vida. este ano, a história repete-se em linhas gerais, mas os pormenores são outros.

hoje acordei bem disposta – como todos os dias. sinto-me bem, acordei a saber que estou no lugar certo para ir para algum lado, que ainda não sei qual, mas acordei serena por saber que desconhecia todo o meu futuro. não há mal nenhum nisso e, como mencionou a minha yeah, isto de nem sempre saber para onde a vida nos leva é uma bênção, aos meus olhos. acordei serena e assim correu a minha manhã.
recebi muitas mensagens no facebook, de parabéns e, embora tente ligar o mínimo possível a isso, transmitiram-me muito amor. umas em especial, mas a verdade é que, sem distinção, o meu coração ia enchendo de amor a cada mensagem que lia e senti que, de facto, não passo despercebida na vida de muitas pessoas. que, afinal, ser-se verdadeira a nós mesmas, simpatia e um sorriso no rosto, tem o poder de transformar muitas vidas, sem falar que melhora consideravelmente a nossa.

o meu pequeno peito está feliz, cheio de amor e de gratidão. estou a ficar muito boa nesta coisa que prometi a mim mesma fazer este ano e para o resto da vida: agradecer por tudo o que tenho. e é tanta coisa! há quem quantifique as nossas conquistas, as nossas lutas como “só isso”, mas a verdade é que eu acho que tenho um oceano de coisas na minha vida pelas quais tenho de estar grata. é tão fácil subvalorizar aquilo que temos: roupa para vestir, comida na mesma, uma família, amigos, companheiros, educação, uma casa para viver, trabalho… até o cabelo na nossa cabeça é uma bênção, assim como a pele que usamos. é tão fácil não darmos valor a essas coisas, até ao momento em que descobrimos que há pessoas que vivem no desconforto de não ter aquilo que nós todos os dias tomamos como garantido.



não vou fazer uma grande festa, a minha rotina diária não mudou: fui trabalhar e almocei com a yeah do meu coração, que me comprou húmus para o almoço (que bom ter pessoas que te compreendem e te aceitam, num todo imperfeito e não procuram buscar a perfeição que sabem que não tens). mais trabalho e, mais logo, vou estar com a minha irmã, mãe e sobrinho (que, agora que aprendeu a dizer tia e Sporting não quer outra coisa. é o maior orgulho da minha vida, esta pestezinha pequenina e a coisa mais boa do meu mundo).

com o passar dos anos (eu sei que isto soa mal, não sou velha, nem tenho assim tanta idade, mas é a forma de dizer com o passar do tempo), tenho-me vindo a aperceber que a vida (a minha e, suponho, a dos outros) é muito mais fácil se deixarmos algumas coisas irem. coisas tóxicas. se ignorarmos certas provocações, certas pedrinhas no caminho. e senti-o muito desde que me tornei vegetariana (falo-vos disso a fundo noutro post). a verdade é que me sinto muito mais calma, muito mais centrada no meu eu interior, muito mais focada nas necessidades e carências dos outros, do que nas minhas. estou muito mais aberta ao mundo, sei melhor o que quero, o que não quero e sei ver que há pessoas que agem/são de certa forma por condicionantes que eu desconheço.
a verdade é que eu ainda sou uma resmungona, ainda me queixo todas as horas de almoço à Cátia pelos pequeninos infortúnios, mas no fim de todos os desabafos, vou sabendo aqui e ali que, afinal, eu sou uma imensa sortuda porque eu tenho tudo o que eu preciso para viver – e fazê-lo bem.

antes de acharem que as vossas conquistas são “demasiado pequenas” ou que “só têm isto”, olhem para fora do umbigo, para os que realmente não têm nada, e dêem graças! isto não é de uma forma religiosa que o digo, mas de uma forma espiritual. eu sinto-me tão bem comigo mesma, com a minha espiritualidade recém-descoberta e que vou cultivando todos os dias com exercícios de gratidão por tudo aquilo o que tenho. e não o que me falta ter: a ver bem, não me falta ter nada de essencial (só ele).

a verdade é que, hoje aos 23 anos, sinto-me tão grata como me sentia o ano passado. o número começa a pesar de uma forma diferente (agora tenho mesmo de usar protetor solar de rosto todos os dias, ahaha), nem que seja porque já tenho idade suficiente para ver o mundo com outros olhos, saber assumir os meus erros e as minhas falhas; saber do que sou capaz e daquilo que não sou, e não me inferiorizar por isso. tomar consciência dos meus atos, saber que são meus; assim como as minhas escolhas: saber que só a mim me dizem respeito e que me fazem feliz; não ser importunada nem me sentir mal porque não preencho todos os requisitos para agradar toda a gente – ser feliz a saber que nem tenho de fazê-lo para me sentir bem.



hoje é um dia bom, estou tão bem. apesar de ter visto coisas que me deixaram muito triste (como o vídeo daquele rapazinho-herói, aqui), mas no geral só me fez perceber a minha sorte e dar ainda mais valor às minhas pequeninas conquistas.

a minha única ambição de vida é ser feliz: viver rodeada dos que amo, cheia de amor para dar e receber. a minha ambição na vida é ter saúde e manter sempre este pensamento positivo e descontraído em relação à vida e ir expandindo os meus horizontes. a minha ambição é viajar o máximo que puder e ser feliz a fazê-lo.
é pouco? que seja, chega-me tão bem tudo o que tenho feito até aqui. estou grata, hoje. nostálgica mas grata. não posso pedir mais nem melhor. o resto vem com trabalho.


olha só a Beyoncé tem 2 músicas só para mim, hoje:


c(ashier).

P.S.: só como nota informativa, o número 23 é um número com muito significado, podem ver aqui, ou aqui (eu sei, eu sei, lá ando eu de novo pelo lado obscuro da internet). Aliás, até existe um filme com o Jim Carrey que é muito bom – vale a pena ver. Aloha

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