[vergonha alheia por ser humana]

estou tão cansada. nos últimos dias tenho-me desdobrado mentalmente a pensar no que escrever para aqui. sinto que isto vai ficando mais pobre a cada dia que passa sem que eu escreva algo de bom, de válido. há dias para tudo e, para mim, há dias em que eu sinto que tenho tanta coisa cá dentro e nada disso consegue passar para fora. esta semana tem sido uma mão-cheia desses dias e, tenho andado às voltas com tantas coisas que tenho para fazer e para escrever.

eu amo escrever, é mesmo o meu maior prazer, à parte com a leitura, comida, procrastinar e sexo. mas é impossível encontrar tempo para tantas coisas ao mesmo tempo e, quando o tenho, lá vou eu relaxar a ver um ou cinco episódios de friends. vou mesmo começar a fazer as coisas amanhã (como típica portuguesa que deixa tudo para amanhã, assim cantava o meu querido Variações).

mas, confessamente, do que vos vim aqui muito rapidamente escrever hoje, é do sentimento de revolta que tenho hoje. revolta e nojo. nojo e dor – no peito e no mais profundo do meu ser. tudo isso e vergonha. vergonha de pertencer a esta raça de humanos desumanos. sinto-me uma felizarda por ter conseguido sair dessa máquina que me juntava a todos os outros que desumanamente direta e indiretamente, matam milhares de vidas por ano.

eu não como carne/peixe, reduzi o meu consumo de ovos e latícinios ao máximo desde que pude e posso evitar. ultimamente, até me tenho sentido mais indisposta ao comer ovos, que eram a minha safa proteica sempre que comia fora de casa (bastante chata, pedia sempre uma omelete simples feita em azeite). contudo, parece que sinto que ainda não é o suficiente, parece que só fico descansada quando conseguir consciencializar o maior numero de pessoas à minha volta. é revoltante, sentir-me assim impotente face a uma realidade que tento todos os dias combater.

parece que começou por moda, dizem. cowspiraram-nos e, numa lavagem cerebral, PUM, somos todos vegetarianos. mas a verdade não é essa. na verdade, é um bocadinho como a alegoria da caverna, de platão: só conhecemos sombras e achamos que a verdade encontra-se nas sombras, porque não conhecemos mais. mas temos de sair da caverna, ver que o mundo não gira à volta do nosso egozinho mal habituado de humanos.

repito: não somos superiores. ter polegares não faz de nós deus. estamos no mesmo patamar que todas as vidas deste planeta – que sofrem, que sentem, que choram e que respiram. animais ou plantas, ou rios ou ervas daninhas.

é nossa obrigação respeitar a vida.

toda esta revolta que me assoma diariamente, hoje tem mais força: mais uma vez, no lado negro da internet, vem ao de cima coisas que todos nós devíamos ter conhecimento de. ultimamente, o meu mural de facebook parece uma pregação ao vegetarianismo ou, como queiram chamar-lhe. no fundo, é a uma alimentação sem cadáveres, sem animais, com o mínimo de derivados possível (os ovos irão ainda este ano, garanto). aqui estou eu, forte e bem de saúde, a recomendar. a verdade é que estou mais leve de espírito e, se soubessem o bem que isso faz! se o vosso problema é a saúde, garanto-vos: sois muito mais saudáveis ao não comer carne provinda da dor e do medo. alimentada de hormonas, de um animal fechado num espaço tão grande quanto o tamanho do seu corpo. muito mais saúde teremos nós se soubermos o que comemos, de onde vem e que não sofreu para chegar ao nosso prato.

voltando ao que me trouxe aqui, o vídeo do horror. um verdadeiro show de atrocidades que, ao serem cometidas com “humanos” daria discussão para anos! somos charlie, somos o cacete-maior, mas humanos não me parece! somos assassinos: eles, os que matam e tu, que compras o cadáver. dinheiro meu nunca mais!

o meu maior objetivo é fazer com que a minha família reduza ao máximo o consumo de carne e acho que vou no bom caminho (Ivo, quando formos viver juntos de novo não te escapas. Diana, hás-de lá chegar).

portanto deixo-vos aqui com algo que cria mais impacto do que as minhas palavras: imagens, testemunho daqueles que todos os dias morrem, sofrem, para tu comeres mais um hambúrguer no Mac ou um fiambre de perú super light.

fica também aqui o testemunho da Bela Gil, sobre a alimentação da sua filha, que está a dar que falar. Ah, mas eu apoio tanto isto! You go, girl!

(aviso: os vídeos contém imagens chocantes – POR FAVOR VÊ).

(choca sim, dá náuseas sim. faz-te sentir auto-consciente, não é? do mal que fazemos a animais indefesos e que, a cada dentada, ignoramos e fingimos que a culpa não é nossa “já estava morto”. então pensem comigo: lembram-se deste discurso emocionante do filme a time to kill? exato é a mesma coisa. pensem na situação de tortura, desespero, de dor… mas depois pensem que era com Humanos. muda muita coisa, não muda? aposto que assim não comíamos, não comprávamos, não continuávamos a sustentar esta indústria).

(por todas as malas e sapatos de pele que compramos, isto acontece).

(o vosso tão amado bacon vem disto. P.S.: as pessoas conseguem dormir depois de fazer isto??).

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