[músicas da minha vida #1]

Lembro me dela: uma rapariga tímida, embora não parecesse. O seu jeito descomprometido e extrovertido escondiam, na verdade, um medo e uma insegurança muito grande. Escondiam uma rapariga de 17 anos que não sabia lidar consigo própria, não sabia muito bem onde pertencia nem acreditava nas suas capacidades (talvez por ainda não as ter descoberto nessa altura).
Lembro me do vestido que vestiu e sei que se sentia bela. Sei que aquele tecido azul lhe assentou no corpo como uma luva, sei que se sentiu orgulhosa de si, naquele palco, naquele baile, naquela noite.
Vejo-a, em 2° lugar de rainha do baile, de sorriso feliz e cabeça erguida. Sei que ali, naquele momento, começou a acreditar mais em si, na sua beleza. Mas cometeu um erro crasso: naquela noite depositou os seus sonhos e a sua auto estima num rapaz que não lhe dava atenção. Achou que aquela música que ele lhe dedicara, as palavras bonitas e os olhares eram verdadeiros. Esqueceu se que ele nunca a iria amar porque ele não tinha capacidade disso. Ela entregou-lhe essa ilusão de que podia ser amada por ele, entregou lhe o coração nas mãos, deu lhe os sonhos de menina iludida pela lábia que achava que ele tinha. Esqueceu-se de si naquela noite, até ao momento em que o viu com a outra. Na sua noite, no seu baile, o par que escolhera tinha-a trocado por alguém mais fácil. Por alguém que se calhar nem tinha feito planos a dois, com a mesma inocência que ela os fizera.
Ali, naquela noite, aquela rapariga que eu conheci em tempos, chorou. Chorou muito, no colo de amigas que o coração nunca mais esquecerá, mas tomou uma decisão : fora a última vez que chorara por ele. A última vez que iria chorar por quem não a amava como ela se dispusera a amá-lo também. Decidiu que nunca mais iria dar as suas esperanças a quem não as merecia.
Claro que voltou a fazâ-lo, eventualmente. Mas nunca mais por ele. Por ele, nunca mais derramou uma lágrima solitária. Tudo o que ficou daquela noite, foi uma má lembrança, um vestido bonito desenhado à medida e uma música que lhe fazia doer o coração de cada vez que a ouvia. Hoje já não dói e a música linda, dos Radiohead, já foi e continuará sempre a ser uma das mais belas músicas escritas. Hoje a rapariga cresceu, tornou se mulher e ele…. Bem, ele não interessa para este texto, porque a vida dela e a dele nunca mais se cruzaram. Mas ela sabe, no fundo do coração, que aquela troca teve de acontecer para a vida dela tomar este rumo precioso que hoje tem.

Hoje, dizem-lhe que ela está diferente daquela rapariga do secundário e ela sabe-o, no mais íntimo do seu ser.

Não sei de todo se ele está bem, feliz, realizado, mas sei que eu estou. E esta é uma das músicas da minha vida, porque a adolescência marca-nos sempre, maioritariamente por erros que cometemos ao confiar demasiado nas pessoas.

C.


(Creep – Radiohead)

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s