[pequenas – GRANDES – conquistas]

(projeto fotográfico contra a homofobia)


Ultimamente, temos visto nas redes sociais uma onda de arco-íris coloridos, em homenagem ao direito recém-adquirido dos casais homossexuais se casarem, em todos os estados da América. Acho bem que o façam, quem o quiser fazer. Mostrar apoio por causas é sempre bom. Contudo, leio aqui e ali comentários de pessoas revoltadas com a situação, uma vez que acham que estamos a dar demasiada atenção a um assunto e, consequentemente, a negligenciar outros (por exemplo, a fome mundial, trabalho infantil, exploração humana, etc.)

Tenho de concordar que, todos esses problemas mencionados acima são de resolução urgente mas, também tenho de dizer que uma coisa e outra não se podem comparar.
Eu acredito que, um passo de cada vez, nos vamos aproximando de um mundo melhor – melhorias pequeninas, como algumas pessoas estão a chamar à legalização do casamento homossexual -, melhoram a sociedade que, acredito, precisa de compreender melhor que um dos nossos maiores problemas é a falta de aceitação.

Tenho de dizer: gostamos muito de dizer que os passos dados e algumas conquistas (pessoas e globais) são “pequeninas” – o que eu não concordo! Quem somos nós para avaliar algo como pequeno, quando essa coisa pode afetar vidas? E, quem diz uma vida, diz a vida de milhares. As mudanças que vão advir da legalização do casamento homossexual são enormes, numa sociedade tão conturbada como os EUA. Todos os dias há registos de suicídios derivados da não-aceitação de uma pessoa como ela é. Seja porque é gay, lésbica, trans… Até no mesmo meio, porque é bissexual e, aparentemente também não nos dão o direito de gostar de ambos sexos.

Há dias entrei num debate com um rapaz, no facebook, porque ele dizia que não era tão urgente apoiar esta causa como outras – ditas por ele, “mais importantes”. Não concordo. O argumento mais usado é o tal “não me importo que os gays casem, que façam o que quiserem. Mas não acho importante.” A negação de um direito não é importante? A igualdade?
Vamos então comparar isto a outra situação: a segregação, também nos EUA (e não só).

A fome no mundo, a miséria e o trabalho e exploração infantil sempre existiram. E, no meu coração, temo que sempre vá existir. E também é a negação de um direito fundamental – o direito à vida. Mas isso são coisas que não podemos mudar com uma lei.
Há uns belos anos (mas nem tantos assim, se pensarmos bem), alguém acho que um assunto “pequenino” como a segregação e o facto dos negros não poderem votar era propício a mudança – teria de acabar!
Da mesma forma que, hoje, alguns ainda dizem “ah mas os gays podiam viver juntos na mesma, namorar só não podiam casar” e que acham que isso não fazia mal, há uns anos atrás diziam “ah, mas os pretos podem andar de autocarro e ir à escola na mesma, desde que não seja perto dos brancos”. E também aqui achavam bem. Portanto acho que passinhos pequenos são sempre gigantes, para alguém e, no geral, para todos.
Vou sempre bater na mesma tecla, mas a verdade é que, sem essa pequena mudança, os meus pais não teriam podido casar, porque o meu pai é branco e a minha mãe é negra (ainda que filha de branco).

Isto torna-se ainda mais grave num país como a América, que foi e ainda sofre bastante de racismo, preconceito, etc.

Portanto, não vamos diminuir um problema, porque existem muitos maiores. É verdade que sim. Mas devíamos despender as nossas energias positivas a tentar erradicá-los a todos. Mas, isso não invalida que celebremos todas as vitórias que vamos recebendo. Porque nem toda a gente tem a sorte de viver neste cantinho da Europa, que nos dá quase tudo o que para muitos não é garantido.

Temos de ficar felizes pela mudança, porque só mudança gera mudança e assim se faz um mundo de amor.
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